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Chover no molhado (12)

Apessoa, ao estabelecer relações evolutivamente livres, positivas, realistas e ajustadas com a realidade total, vai auto-construindo e auto-reconstruindo seu próprio mundo interior em ordem ao bem, à verdade, à bondade e à beleza. Esta construção e reconstrução, sempre em processo, é-lhe imposta categoricamente, não de nada que lhe venha de fora, mas sim de seu próprio ser real, concreto e profundo. E é obrigação da pessoa cumprir satisfatoriamente a vontade de seu ser real, concreto e profundo. Vamos, então, dar a primazia ao bem como coroa deste nosso mundo em construção. Há, evidente como a clareza, pela via rápida de nossa existência, uma pluralidade e uma diversidade de bens concretos e reais sempre em mudança. Há bens que, no dia de hoje para mim, são efectivos. Posso-os gozar. Mas também, no mesmo dia de hoje, há outros que para mim são possíveis. Quanto aos primeiros, aos efectivos, pode-me acontecer a desgraça de os perder. Quanto aos segundos, assiste-me a esperança de os vir a possuir. Os primeiros abrem-me as portas da preocupação e do medo. O medo de os perder, e a preocupação de os não poder conservar. Os segundos escancaram-se risonhamente à motivação e optimismo.

N/D
26 Ago 2003

À motivação para os conseguir e ao optimismo de os vir a saborear. Mas estava a esquecer-me da rota que está à minha frente. A rota é esta que se segue e só quero ver aonde é que vai desembocar. A pluralidade destes bens concretos e reais, bens estes que me entram pelas janelas dos sentidos, abrem-se à sua unidade. A diversidade real e concreta destes bens aceita sua identidade. E a mobilidade destes bens cai e prolonga-se em sua continuidade. E do casamento entre unidade, identidade e continuidade destes bens reais e concretos, é gerado, no seio da abstracção e generalização, pela força da razão, o bem total. Por isso o bem total é o bem que se encontra na compreensão de todos estes bens reais, concretos e singulares. E que interesse tem para nós este bem total que a razão ajudou a construir? Vou, então, movido por interesse, fazer deste bem um preliminar para encontrar o Sumo Bem. Mas posso? Se encontrar o que pretendo, talvez possa dizer sim.
E que é que encontro? Primeiro encontro a realidade concreta e singular posta, indubitavelmente, à minha frente. E depois encontro a coerência de minha razão ao afirmar a unidade da pluralidade; ao afirmar a identidade da diversidade; ao afirmar a continuidade da mobilidade. E agora não poderei eu afirmar a continuidade do bem total, rumo ao Bem Supremo? Quem é que se opõe? A razão pode calar-se, mas não me diz não. Como concretizar melhor?




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