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Quando o patriotismo incomoda… e a ONU é atingida!

Independentemente dos aproveitamentos actuais ou incidências anteriores. Apesar das leituras controversas ou oportunistas. Independentemente das perspectivas de cada um dos contendores. Apesar dos motivos mais ou menos explicitados… Não deixou de causar um certo mal-estar, acicatado por alguma comunicação social ávida de escândalo, o que se disse por ocasião da homenagem nacional que foi prestada pelo Estado português a um oficial militar morto, em 1978, em Timor Leste.

N/D
24 Ago 2003

De facto, acabado que foi o “espectáculo” dos fogos florestais tinha de haver qualquer episódio que entretivesse as notícias.
Com efeito, vimos declarações menos felizes de intervenientes com responsabilidade, mas que se esqueceram de despir a carga de antigos combatentes marxistas (ou mesmo maoístas-leninistas), enquanto outros se iam ufanando da sua cruzada de recuperação do papel em favor dos ex-combatentes do Ultramar…

Como estamos ainda eivados de preconceitos, fantasmas e papéis menos assumidos na história recente – e já lá vão quase três décadas – desta nação valente e (i)mortal!

A ver por esta amostra temos ainda um longo caminho de reconciliação nacional a percorrer, se é que alguma vez ele foi iniciado!…

Pela mesma ocasião (19 de Agosto) ocorreu um atentado em Bagdade (capital do Iraque) à sede das Nações Unidas naquele país. O resultado foi cerca de três dezenas de mortos, centenas de feridos e prejuízos humanos e materiais incontáveis.

Entre os mortos encontra-se o brasileiro Sérgio Vieira de Mello, apelidado de «amigo de Timor», de «grande diplomata, dedicado à causa da concórdia e da paz por onde passou, ao longo de trinta anos de trabalho em favor da ONU.

Dentro daquela filosofia de que “todos seremos boas pessoas” – durante três dias: no da morte, no do funeral e no dia seguinte… depois tudo voltará à normalidade – também Sérgio Vieira de Mello “viveu” a sua hora de honrarias, obnubilando, por momentos, as agruras dos que vivem no Iraque “libertado” pela coligação de americanos e ingleses… surgindo, então, a necessidade de proteger as forças da ONU, seja com a cobertura internacional seja através do recurso armado.

Ainda estamos longe de ver resolvido o conflito no Iraque e/ou Médio Oriente, pois há interesses – uns mais visíveis, outros mais sub-reptícios ou mesmo obscuros – que duma forma ou de outra têm servido de acusação ou de defesa de lugares tenentes no protagonismo reinante.

Será que a vida dos funcionários da ONU não valerá mais unidade na acção? Até quando veremos – como um comentarista do actual regime, director da agência oficial de notícias portuguesa – diatribes estafadas de que os ataques em Jerusalém (o que aconteceu nesse mesmo dia ao final da tarde) têm por adversárias as religiões dos inimigos? Quando a ignorância se deixa ideologizar, então assistimos a erros de palmatória… até que se descubra a verdade.

Entre o patriotismo e os ataques à ONU, teremos de saber discernir quem nos manipula ou desinforma, tendo cada vez melhor uma opinião esclarecida e lúcida.




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