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Crianças hiperactivas

O transtorno por déficit de atenção (TDA) afecta sobretudo crianças do sexo masculino em idade escolar e é frequentemente acompanhado de hiperactividade. Este transtorno começou a ser considerado doença nos anos 80.

N/D
23 Ago 2003

Segundo o Dr. Aquilino Polano, catedrático de Psicopatologia da Universidade Complutense de Madrid, as crianças com TDA «primeiro actuam e depois pensam; têm dificuldades de concentração: não percebem bem o que se lhes explica, não
apreendem, não fixam na memória e, consequentemente, não as recordam, quer dizer que costumam fracassar nos estudos; se além disso são hiperactivos, estão constantemente agitados, não podem estar quietos, fazem cenas nos restaurantes ou nos consultórios; têm necessidade de protagonismo que acaba por cansar os companheiros; incomodam as aulas; são impulsivos, etc. Em 20 por cento dos casos, o transtorno costuma estar associado a um quadro depressivo».
Alguns pensam que o diagnóstico do TDA associado com a hiperactividade, é muito subjectivo: não se detecta senão quando o paciente manifesta grande número de sintomas. O médico Lawrence Diller, autor de Running on Ritalin (Nova York, 1998), adverte: «Estamos perante a possibilidade de que o TDA seja um conjunto de coisas desordenadas que abarca uma varie-dade de problemas da conduta infantil devidos a motivos diversos, tanto psicossociais como biologicamente predeterminados. O facto de que o Ritalin sirva de ajuda em tantos problemas pode levar a que se alarguem os limites do diagnóstico do TDA».
Os tratamentos também não estão isentos de críticas. O Ritalin, o remédio mais usado nestes casos, é um estimulante do sistema nervoso central quimicamente relacionado com a metanfetamina ou a cocaína. Aumenta a capacidade de atenção, permite uma maior concentração e aumenta a energia. Aplicado em doses moderadas não cria habituação como a cocaína, mas em doses mais altas pode acarretar esse perigo. Para que o tratamento seja eficaz deve começar pelos 5 ou 6 anos – na adolescência já é tarde – e deve ser controlado por um especialista.
Para o Dr. Polano, «na Europa estamos longe de um diagnóstico alarmante, ainda que esteja a chegar a moda. Contudo há dois ou três anos para cá, nota-se maior sensibilidade social, o TDA resolve-se melhor e cada vez há mais cursos – nos quais participam muitos pais afectados – para entender e aprofundar o problema».
A crescente assistência dos pais com filhos hiperactivos a cursos sobre transtornos de atenção explica-se pela repercussão nas relações familiares e sociais. Uma criança assim põe à prova a família que se vê necessitada de recorrer a ansiolíticos e antidepressivos e provoca, por vezes, rupturas familiares quando um dos cônjuges não aguenta a pressão. Por sua vez, as crianças sofrem e mais tarde ou mais cedo reconhecem que são um fardo.
O Dr. Polano sugere três soluções para atacar a doença. Por um lado os pediatras deveriam ser mais conscientes de que quanto mais cedo se detectarem os transtornos melhor se tratam. Por outro lado os pais devem ser ajudados para saber como devem lidar com os filhos: a paciência e o carinho não são suficientes. Neste caso influi muito a tolerância dos pais aos sintomas da criança hiperactiva: quanto menos tolerância mais recorrem ao especialista. Por último os professores devem cuidar de se informar para saber como lidar com estas crianças. A medicação ajuda, mas para o êxito do tratamento da hiperactividade devem concorrer os especialistas, os pais e os professores.
É importante também não usar remé-dios, quando não há uma certeza de que existe a doença. Uma criança irrequieta não é uma criança hiperactiva e portanto a medicação deve ser só ministrada sob conselho e orientação médica.
Numa turma normal um hiperactivo é um problema de difícil solução, pela perturbação que causa a cada momento, esgotando a paciência quer do professor quer dos próprios colegas. Daí deriva que um hiperactivo acabe por se sentir discriminado de um modo inconsciente, não por mal, mas por esgotamento daqueles que com ele lidam.




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