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Chover no molhado (10)

Com a clareza que posso descortinar, o religioso não impõe à pessoa a obrigação de amar Deus. Eu é que a colho, ditada pelo imperativo categórico que sai da autoridade de meu próprio ser profundo e concreto. Do mesmo modo, a moral não tem o prestígio de me impor a lei que orienta a minha conduta em ordem à posse do bem. Esta é para mim uma imposição vinda da autoridade de meu próprio ser profundo e concreto.

N/D
22 Ago 2003

A ciência e a filosofia não me impõem a obrigação de procurar e fundamentar radicalmente meus conhecimentos. Esta é-me imposta categoricamente pelo meu próprio ser profundo e concreto. Da religião, da moral, da ciência, da filosofia e da arte, vem apenas a riqueza da confirmação destas exigências categóricas, acalentadas pela autoridade suprema de meu ser profundo; e da riqueza da dádiva de sua total disponibilidade para a auto-construção ou auto-reconstrução da verdade e do bem no mundo interior da pessoa. E a pessoa, em seus relacionamentos com a realidade total, tem de se abrir, tem de conhecer, de viver e aceitar suas exigências. Exigências que, segundo a nossa realidade profunda, são sempre em ordem ao bem da pessoa, à sua maturidade, à sua identidade, ao seu crescimento. O prestígio, o valor, a dignidade de todas estas forças, como a força religiosa, científica, moral, filosófica, artística, vem-lhes de sua confirmação às exigências de meu ser profundo e concreto, impostas à pessoa em seus relacionamentos com a realidade total, e de suas dádivas inteligentes à total disponibilidade para a construção ou reconstrução de seu mundo interior. Mas se porventura, qualquer uma destas forças lança um anátema de rejeição a alguma das realidades concretas da realidade total, é uma força desorientada, perdida e chorosa, mas que tem de ser regenerada e de voltar ao seu aprisco, a realidade total.
Toda esta pluralidade, diversidade e livre mobilidade de todas estas forças, e cada uma com sua missão própria e específica, formam, congregando-se, uma unidade. E esta unidade tende para o uno, que é a minha realidade profunda. E nesta unidade reverbera-se a identidade e a continuidade da diversidade e da livre mobilidade de todas estas forças, com um objectivo, o de suas livres disponibilidades em ordem à auto-construção ou auto-reconstrução de meu mundo interior em bem e em verdade. Eis a imagem real e verdadeira de todas estas forças.




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