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Chover no molhado (9)

O organismo global e a pessoa, sua filha e herdeira, levantam entre si a exigência de uma dialéctica evolutivamente livre, ajustada e sincera, global, realista e positiva. Da explosão de sua energia, a energia do organismo global, riquíssima em potencialidades, emergem, em seu adequado meio ambiente, o organismo fisiológico bem como o organismo psíquico. Contudo o organismo global é algo mais que a união destes dois organismos. Pois, o organismo global é uno e indiviso em si dotado de uma natureza e energia muito específicas. Este organismo global é, numa palavra, a minha realidade profunda. É o meu ser real profundo. E esta realidade profunda, que é o meu ser profundo, tem sua habitação. A habitação, onde descansa e dorme as boas sestas, é meu corpo. Assim meu corpo é minha primeira casa, que deve estar sempre limpa, arejada e luminosa, segundo o agrado de meu ser profundo. A minha segunda casa é a vivenda, onde habito; a terceira é a igreja aonde vou orar, e a quarta é o mundo todo. São por assim dizer quatro as casas que possuímos.

N/D
21 Ago 2003

Mas que dialéctica é essa que se levanta entre minha realidade profunda e minha pessoa, em quem, pessoa, minha realidade ou ser profundo deposita toda a sua con-fiança e a incumbe, por ser sua filha e herdeira, de estabelecer com a realidade total, relações evolutivamente livres, positivas, ajustadas e realistas? É, por assim dizer, a dialéctica entre o mandar e o obedecer. Manda quem pode e obedece quem deve. O acto de mandar, vindo de minha realidade profunda, é de cariz imperativamente categórico. E o acto de obedecer, que vem da pessoa, é de cariz puramente obrigatório, sem o direito de ripostar ou de se alienar. Mas a obrigação, não o é, como obrigação; mas é obrigação para. Bem como o imperativo categórico do acto de mandar não o é como imperativo em si, mas imperativo para. Daí, logo à partida, a pessoa, filha e herdeira de minha realidade profunda e concreta, tem a obrigação de, em profundidade, conhecer e viver os motivos radicais de sua realidade profunda, expressos apaixonadamente em suas necessidades, em seus desejos e aspirações, quer de conservação, quer de crescimento, quer de socialização e de relacionamento positivo com o divino. Pois esta obrigação é-me imposta a mim pessoa, que a aceita, pela autoridade indiscutível de meu ser concreto e profundo, para a construção ou reconstrução da verdade e do bem em meu mundo interior.




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