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O Governo de Espanha e a família

O problema da família, em Espanha, atingiu um nível gravemente baixo nos últimos anos com consequências graves na vida familiar e social.

N/D
20 Ago 2003

Face a esta realidade, o Governo actual decidiu agir e o Conselho de Ministros aprovou o Projecto de Lei de Família Numerosa, no qual amplia a protecção às famílias com três ou mais filhos. A mesma lei protege as famílias com menos de três filhos, no caso de serem incapazes de trabalhar.
Há uma novidade a registar: a lei protege não só os nascidos de uma família unida, mas também os nascidos após um processo de separação ou divórcio e que dependam da nova unidade.

Um diário espanhol comenta o facto desta forma: «Após largos anos de abandono por parte dos diversos governos, a família recuperou subitamente um protagonismo largamente reclamado e converteu-se no centro de atenção do Executivo».

Neste problema da família a Espanha encontra-se na cauda da Europa, a Espanha que se diz católica. Segundo dados do Eurostat, a política de apoio específico à família é de 0,5 por cento do PIB, bastante inferior a países como Portugal e a Grécia. A Espanha, no plano económico, tem crescido e tem-se destacado na União Europeia, mas ocupa os últimos lugares no que se refere à protecção à família.

O governo, que é da “Direita”, procurou atenuar a gravidade do problema existente. Mas, como o fez em véspera de eleições, choveram as críticas da oposição, a qual, em Espanha, sendo nacional, como em qualquer país, é também regional como se tem verificado ultimamente desde as Vascongadas ao sul de Espanha e à Catalunha.

Esta realidade política e social pode reflectir-se no problema da família, pelo que um diário espanhol fez a seguinte recomendação: «Em qualquer caso, a nova norma, igual ao conjunto de medidas adoptadas nos meses passados pelo Executivo, não pode entender-se senão como um meritório primeiro passo, que deveria concretizar-se em um posterior e contundente impulso. Mas as ajudas não podem gerar uma carreira disparatada, na qual, dependendo da cor política de uma determinada Autoridade ou Ajuntamento, se estabeleçam diferenças no tratamento às famílias em função da territorialidade. Urge um pacto em torno da sua protecção para a não converter em instrumento partidário».

Demos relevo ao que se passa em Espanha e à reacção existente em torno do problema. É necessário ver os problemas em toda a sua amplitude no plano, até religioso, que lhe diz respeito, e não apenas no seu aproveitamento político ou económico.

A família existirá com dignidade e eficiência se se respeitarem os seus legítimos direitos e ela cumprir as suas obrigações.

Neste momento, o cristianismo que enobreceu a família e, até, as nações, sente dificuldades em se projectar com vigor no meio social.

Jean Delumeau, francês, escreveu: «É certo que o cristianismo encontra, actualmente, dificuldades na Europa». E Jacques Duquesne aponta o mais grave da actualidade. Diz: «No mundo, o cristianismo terá que afrontar cada vez mais um Islão invasor, cuja expansão se encontra favorecida pela demografia».

Face a estas realidades, outro escritor francês, Gérard Leclerc, diz: «Actualmente o cristianismo na Europa parece sumamente frágil».

Verificamos com surpresa que os políticos, devendo observar e julgar os acontecimentos em toda a sua amplitude, referem o económico, o político, o social, e não têm uma atitude para lembrar a força da moral na solução dos problemas e na actuação séria e objectiva.

São falhas, aparentemente ditas como de função política, mas que se reflectem profundamente na vida familiar e, portanto, na vida social.

A política não deve olvidar as realidades e, consequentemente, o facto religioso como indispensável a toda a acção humana.

Os tempos que vivemos ou suportamos, sem os querer viver influenciam o ambiente e este não cuida de manter ou avivar ou recriar o problema religioso.

Voltando ao fenómeno espanhol. Este país notabilizou-se no plano da expansão religiosa como Portugal e, ainda, no tempo de Franco o problema era vivido e sentido pelos espanhóis.

Recordamo-nos de as Vascongadas serem um local de vocações sacerdotais e religiosas. E até da Galiza, que enviou missionários para Cuba. Não recordamos a História para a viver na teoria. Até porque há, presentemente, quem defenda a religião na história dos povos, mas não a defende na vida das pessoas.

Chegamos a esta triste realidade.

Os tempos modernos, infelizmente, por culpa dos homens, não aceitam a presença viva da Igreja na sua formação e actividade.

Estamos a sentir esta triste realidade. E não se cuida de ver e estudar até que ponto a falta de cultura religiosa e sua vivência ocasiona a vida social e política que estamos a viver.




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