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Chover no Molhado (8)

Entre o mandar e o obedecer vamos levantar a exigência de uma dialéctica. Vou tomar aqui dialéctica como sinónimo de diálogo. E vou, agora, definir etimologicamente diálogo como razão oposta a razão.

N/D
18 Ago 2003

Temos, então, aqui duas razões encarniçadas, razões em conflito. Mas deste conflito tem de sair uma razão mais rica de significado e mais intumescida de vida e não mais uma razão despótica, humilhante, marginalizadora, autoritária. Razão que à partida se oponha à liberdade de não se mover em todas as direcções positivas, globais, realistas.
Mas afinal quem é que manda? Quem é que dita as ordens e quem é que impõe obrigações? Vamos partir do pressuposto de que quem manda é a autoridade. E, para mandar, de que é que se reveste a autoridade? A autoridade deve revestir-se de conhecimento. E por conseguinte de ciência e respectiva sabedoria. Para além do conhecimento, da ciência e da sabedoria, a autoridade, como autoridade, não engana nem guarda motivos para manipular seja quem for. Mas não podemos ficar só por aqui. A autoridade, como autoridade, deve ser naturalmente dotada de uma ajustada e realista compreensão empática acerca das necessidades, dos interesses, dos desejos, das aspirações desse alguém que deve obedecer; e de uma inteligente determinação abraçada à ajustada e realista compreensão empática desse alguém. Quem diz alguém diz um grupo. Quem diz um grupo, diz um povo, que essa autoridade representa. Mas a autoridade que dita ordens e impõe obrigações tem de possuir a força para as fazer cumprir. E que força é essa? A força, creio, para gozar de poder sobre alguém tem de possuir valor. E de que nascente jorra imediatamente esse valor? Creio ser da união entre inteligência, afecto e acção. E que valor é esse para que alguém lhe dê sua anuência? Creio ser o bem e a verdade que se dirigem para sua integração em seu bem global, bem que inunda de paz nosso mundo interior. Lampeja a segurança e caminha para diante o progresso.




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