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Migrantes/turistas exigem nova noção de paróquia

Hoje em dia, a formação ‘cosmopolita’ do Povo de Deus é visível praticamente em cada uma das Igrejas particulares, isto porque a migração transformou mesmo as comunidades pequenas e antes isoladas em realidades pluralistas e interculturais. Lugares em que, até há pouco tempo, era raro ver um forasteiro, hoje são a casa de pessoas oriundas de diferentes partes do mundo.

N/D
16 Ago 2003

Por exemplo, na Eucaristia dominical é cada vez mais comum escutar a Boa Nova ser proclamada em línguas que antes não se ouviam… Por conseguinte, estas comunidades têm novas oportunidades de viver a experiência da catolicidade, uma marca da Igreja que expressa a sua abertura essencial para tudo aquilo que é obra do Espírito em cada um dos povos» – João Paulo II, Mensagem para 89.º Dia Mundial dos migrantes e refugiados.
Se nos detivermos – quem contacta com pessoas, quem estiver atento à mobilidade, quem tentar acertar com as mudanças contínuas – por momentos a olhar as nossas assembleias eucarísticas (sobretudo dominicais) veremos – pelo menos em certas zonas do país! – que temos pessoas que não estiveram nesta Igreja a semana passada nem possivelmente estarão na próxima.

Serão católicos vagos? Serão católicos desenraizados? Serão católicos mesmo praticantes? Que resposta lhes damos, atendendo às suas contingências? Como estão as nossas paróquias preparadas para receber/acolher/aceitar quem chega? Como têm os sacerdotes/párocos presente essa possibilidade de revisão (urgente) da noção de paróquia? Os migrantes criam, ao menos mentalmente, preocupações pastorais para além do discurso da caça ao dinheiro dos emigrantes e de uma certa desconfiança dos imigrantes?

De facto, a noção de ‘paróquia’ está em absoluta e rápida mudança. As pessoas já não nascem, crescem e morrem sempre no mesmo lugar. A celebração da fé já não tem mais a marca redutiva do espaço físico, em que o mesmo padre (‘abade/reitor/prior’) faz todos os sacramentos dos seus ‘fregueses’. Em muitos casos a mera razão de viver naquela paróquia não fideliza os paroquianos, nem mesmo os mais sedentários. Já alguma vez alguém foi a Fátima, ao Sameiro, ao São Bento ou a outro santuário qualquer (até no estrangeiro) e viu, comparou, imitou o que nessas paragens viveu, celebrou ou mesmo gostou…

Por outro lado, quantas vezes as pessoas – dizem que em Portugal o número está a crescer muito depressa – têm já uma casa no litoral, perto da praia, uma segunda habitação (dita de fim-de-semana, onde o domingo se inclui ou dilui) e têm a tendência (os que mantém um certo ritmo de fé) a ir participar na missa de domingo, aí onde se encontram. Esta segunda hipótese de habitação até pode ser considerada quasi-domicílio mesmo em matéria de organização de processo de casamento… E temos novas realidades eclesiais que criam desafios, provocam novidade e até confronto, senão mesmo comodidade aos praticantes.

Há casos, sobretudo vindos de países onde está estipulada uma taxa para a religião/Igreja, em que as pessoas (pensando-se mais espertas do que outros) tentam fugir ao contributo aí estabelecido e nas suas paróquias de naturalidade celebram os sacramentos – sobretudo os ditos sociais – com pompa e circunstância com o dinheiro que pretensamente pouparam na fuga à percentagem religiosa.

Há casos ainda em que as dioceses desses países comunicam a ‘abjuração’ oportunista da religião desses católicos de torna-viagem e isso poderá e deverá criar problemas e ser levado a sério em Portugal!

Já lá vai o tempo em que os párocos eram ‘donos’ da prática religiosa dos seus fregueses. Importa cada vez mais ter abertura à diversidade de propostas, usando uma orto-práxis inovadora à linguagem do Espírito de Deus.

Cada vez mais os crentes têm sugestões atractivas, sejam na televisão sejam noutras ‘igrejas’. Importa criar condições de caminhada pelo compromisso em Igreja com matriz Católica.
Está na hora de saber dar razões – tanto fiéis como pastores – da fé pela esperança na caridade, lendo os sinais dos tempos actuais.




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