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Esposende, cidade jardim

Antes do 25 de Abril de 1974, Esposende era uma Vila de escassos recursos, limitados a uma pesca num mar que, tantas vezes, durante o ano, não fazia cerimónia em sacudir, com violência dos seus frágeis barcos, os pescadores mais atrevidos, tantas vezes engolidos pelas ondas alterosas a cuspirem espuma de raiva, deixando na praia, viúvas e crianças órfãs à espera que esse mar insano devolvesse os cadáveres dos seus entes queridos.

N/D
15 Ago 2003

Por sua vez, a agricultura, não envolvendo os riscos da pesca, era também de parcos recursos, dada uma cultura ainda de prática medieval. Havia depois o turismo envergonhado, mas apenas na época de veraneio. Mais um comércio tradicional e o funcionalismo público ligado ao Tribunal Judicial, Conservatórias, Notariado e Repartição de Finanças.
Com a revolução de Abril, teve esta histórica Vila a sorte de ver eleito um filho da terra, e com ele o seu primeiro surto de desenvolvimento. Infelizmente, acidentalmente, desapareceu do mundo dos vivos, quando tanto ainda havia a esperar dele.

A escolha, a seguir, recaíra sobre Alberto Figueiredo que mostrou estar à altura da revolução iniciada pondo aceleradamente as melhores soluções em prática para os problemas autárquicos, no sentido de manter o ritmo de crescimento.

Hoje a Autarquia de Esposende é apontada como um exemplo de desenvolvimento a seguir, tanto em qualidade como em prosperidade. Os autarcas mais parecem uma equipa de jardineiros a cuidar do seu jardim! A escolha do sucessor de Figueiredo foi acertada. O jovem Presidente nasceu mesmo talhado para o exercício da política activa. E é de esperar dele voos de águia.

A requalificação da frente ribeirinha irá permitir um abraço mais estreito entre o munícipe, o turista e o rio que, à noite, do lado Sul da ponte, as suas cintilantes luzes reflectidas na sua superfície, sobretudo na maré-alta, inebriam os sentidos. As pistas de ciclismo, os passeios pedonais, vão certamente proporcionar encontros românticos nas tardes e noites amenas nas épocas de veraneio.

Uma Vila que, apesar de conquistar o estatuto de cidade, em l993, não perdeu ainda a pacatez da vida das aldeias onde todos se conhecem e são solidários nas horas boas e más. Onde a frescura das brisas, nas tardes de Estio, chega a todos, vivificando-lhes o corpo e a alma.

Esposende, com rio, terra e mar, será, a curto prazo, o destino não só de turistas, mas também de futuros residentes que, vindos de outras cidades, a Norte do Porto, para ali se hão-de fixar de armas e bagagens, fugindo ao rebuliço dos barulhentos centros urbanos, onde as pessoas vivem encortiçadas como em colmeias de abelhas!

Para isso muito hão-de contribuir as novas vias de comunicação que tornarão mais rápidas a deslocação das pessoas que trabalhem nas cidades do interior.

A Auto-estrada Braga Esposende já tarda.

Para isso torna-se necessário que continue a crescer, ordenadamente, no sector de habitação, comércio e indústria, fazendo a diferença, como até agora, entre as demais autarquias do litoral Norte.

O desenvolvimento social e a qualidade de vida dependem muito das suas receitas, traduzidas em imposto autárquico, derramas, sisas, licenças de obras, taxas de água e saneamento, etc.
Os munícipes devem estar vigilantes para que a jovem cidade seja cada vez mais o jardim com o colorido dos seus canteiros a todos os níveis sectoriais.

Mas conscientes de que a conquista constitucional das manifestações de rua, não podem pôr em causa leis emanadas da Assembleia da República ou do Governo, no uso das suas competências legislativas, que, no fundo, foram votadas por representantes escolhidos pelos próprios eleitores.

Hoje as Câmaras têm já o seu plano director homologado pelo poder central, onde as áreas de construção estão devidamente assinaladas.

Os pinhais podem ser aproveitados também para recriação do homem, permitindo-lhe beneficiar da pureza ecológica, através de infra-estruturas que lhe permitam a sua fixação, partilhando dessa beleza escondida!

Até agora só ao alcance da prostituição e do crime. É que hoje, nem as rusgas da Guarda Nacional Republicana, com as suas montadas, consegue penetrar nessa mata densa e virgem, à procura de criminosos a monte!

Exemplo disso, a urbanização OFIR-MAR (eu preferiria MAR-OFIR) tanto contestada sem se saber porquê. Afinal nunca ninguém se preocupou com um eventual incêndio que só não aconteceu por milagre.

Na verdade, trata-se de uma bouça de pinheiros que nunca foi limpa, entulhada de mato e arbustos onde apenas vive bicharia rastejante e animais selvagens, de pequeno porte, já se vê, e pássaros, e rolas, e pombos, na sua época. Uma simples ponta de cigarro reduziria tudo a um cemitério de cinzas.

Agora que vai nascer ali um núcleo habitacional respeitando rigorosamente o Plano Director, com amplos espaços verdes de lazer, lagos, parques de diversão para crianças, é que surge a contestação do empreendimento.

Aberta ao trânsito a auto-estrada, muita gente ligada aos serviços, de Braga, Barcelos, Vila Nova de Famalicão, etc., irá certamente fixar ali a sua residência permanente, como muitos lisboetas o fizeram, mudando-se para Cascais, onde dormem apenas durante a semana.

Talvez, por arrastamento, a Câmara deixe de ser madrasta com o Largo a seguir à Capela da Senhora da Bonança, Senhora que tarda em fazer milagres. Faz dó ver na época balnear os veraneantes envergonhados esconderem-se por entre os arbustos e os pinheiros, de papel higiénico no bolso, para desconfortavelmente arriarem as calças e respirarem de alívio.

E a seguir mendigarem um garrafão de água a um vizinho não só para higiene mas também para matar a sede. Pelo menos uma fonte, um sanitário e o Largo demarcado com lugares para estacionamento para se acabar com o banzé de estacionarem uns em cima dos outros.

E uma vez por ano, pelo menos, uma máquina que empurre, na direcção do mar, a areia acumulada no Largo, evitando que as pessoas desçam para a praia de cu a rastos, como acontece agora, e no regresso façam cambão para suavizar a subida.

Vamos todos dar as mãos para que Esposende continue a ser o espelho de uma cidade a crescer sem atropelos ambientais, preservando as suas velhas igrejas, azenhas, casas solarengas, e os seus castros, e moinhos de vento, mas sem obstáculos infundamentados que travem o crescimento harmonioso em benefício dos cidadãos.

E se houver fé, a esperança virá por acréscimo, e não tardará que os simpáticos golfinhos venham a ser, um dia, o encanto das crianças, rio acima e rio abaixo! Será o desejável tempo das marés-altas ecológicas desta cidade jardim “à beira mar plantada”!




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