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Temos estruturas…

Li há dias, num dos sítios da internet que muitas vezes consulto para proveitosa meditação, um texto do Padre Santiago Martin. Ao fim e ao cabo, um brevíssimo comentário ao Evangelho há semanas proclamado na missa do XV domingo do Tempo Comum.

N/D
13 Ago 2003

Fui atraído à leitura pelo título: «Sobram estruturas e falta fé»… Um bom título; um título-isco, que me atraiu no meio das outras propostas.
Apanhado pela denúncia jornalística, adentrei-me na leitura, na lembrança da recomendação de Jesus quando enviou os seus discípulos, dois a dois, e lhes pediu que fossem vazios de coisas: nem pão, nem alforje, nem dinheiro… Enfim, de peito feito às dificuldades e sem os meios que nós definimos como «indispensáveis».

Aos que hoje se queixam de como é difícil fazer apostolado, no meio laboral ou familiar; aos que se calam perante as críticas de historiadores e pseudo-historiadores cujo compêndio se colou nas páginas das Cruzadas ou da Inquisição; a esses e a outros, o P. Santiago Martin lembra o contexto daquela sortida apostólica dos discípulos. Para concluir: perante as dificuldades do ambiente, eles – aqueles discípulos e os primeiros cristãos – nem sequer tinham mais meios que nós; o que tinham era, afinal, mais fé!…

“Touché!”. É aqui, de facto, que está o busílis: na entrega decidida dos pães e peixes da nossa merenda (as nossas capacidades).

Mas urge fazê-lo, rompendo com um cristianismo de defesa, de não te rales, de poupança.

Um cristianismo previsível, de festas calendarizadas e cada vez mais entregues a uns programas espalhafatosos, com uns “números” capazes de destruírem, no primeiro quarto de hora, a novena ou o sermão do «distinto orador».

Um cristianismo que se prepara para o Bispo (cada vez mais transformado em decoração obrigatória ou prefixo de prestígio paroquial) e se esquece de deitar raízes, que resistam ao deserto que tantas vezes se segue à comunhão solene ou ao Crisma.

Um cristianismo onde a corresponsabilidade ainda não acontece, de modo que ninguém caia sem que os outros substituam a sua fadiga ou o seu desânimo.

Um cristianismo de bicos de pés nas filas das “autoridades”, mas de cobardia diária no momento de fazer clara divisão entre o que é de Deus e o que é de César.

Sim; temos quase tudo: rádios, jornais, boletins, revistas, livrarias, igrejas, centros paroquiais, centros pastorais, órgãos eleitos e escolhidos, programas ou agendas a fazer a vez…

Temos quase tudo. E teremos tudo quando o pedirmos: Senhor, aumenta a nossa fé!…




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