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O perigo do abuso da liberdade

Não se pode conceber a política autêntica sem a liberdade de acção. Esta, a liberdade, porém, não deve ferir os direitos nem a dignidade das pessoas, os quais se devem sobrepor a toda a iniciativa que pretenda agir sem limites de consciência e de respeito à ordem social.

N/D
13 Ago 2003

Ultimamente temos assistido seja na rádio seja na imprensa a campanhas que invadem esses deveres e alarmam a sociedade desvirtuando-a do seu legítimo dever: o da informação objectiva. Os comentários sobrepõem-se às notícias, mesmo quando estas devem ser, e são legítimas e necessárias. Acontece, até, por vezes, que o entrevistador interrompe o entrevistado para comentar e não para uma interrogação autêntica, deixando ao ouvinte ou ao leitor a sua atitude pessoal, a qual deve primar em todas as circunstâncias e não a crítica do jornalista ou do entrevistador.Ultimamente tem estado em causa o segredo de justiça.

Sobre este tema, Almeida Santos, ex-presidente da Assembleia da República, pronunciou-se, recentemente no semanário “O Diabo”, em entrevista com esta clareza e objectividade, quando o entrevistador lhe perguntou se «as vítimas de violação do segredo de justiça não estão a lançar mão dos recursos de que dispõem»:

«Não estão, por uma razão simples, porque de algum modo temem a comunicação social. A comunicação social é um poder terrível! Para mim é o primeiro poder… em associação com o poder económico. Eu não quero violar a Lei de Imprensa meu Deus! Lutei por ela tantos anos, e ajudei até a fazê-la, como ela está feita hoje, e seria o último a querer isso. Agora reconheço que estamos a deixar apodrecer a sociedade. Repare-se nisto que está a acontecer com a pedofilia, é uma coisa terrível».

O jornalista quis saber o que Almeida Santos pensava de “O caso Casa Pia” e a resposta foi esta:

«Sobre isso não estou muito à vontade para falar, pois ainda estou enojado. A minha primeira declaração pública foi de nojo. E ainda estou enojado!»

O semanário “O Diabo” que insere a entrevista a Almeida Santos é de 17 de Julho último. «A comunicação social é um poder terrível». Esta afirmação objectiva e responsável deverá pesar sobre todos os que trabalham na comunicação social e levá-los a reflectir nas responsabilidades da função pública que desempenham.

Acontece, porém, que os órgãos da comunicação social buscam, sobretudo, as audiências e com elas a projecção que lhes trará “autoridade” pública.

Infelizmente nos momentos que estamos a viver os órgãos de comunicação batem-se pelo êxito financeiro e fazem-no através do noticiário e comentários que lhes garantam o crescimento dos leitores ou dos ouvintes e anunciantes.

Esta maneira de proceder atraiçoa a missão dos órgãos de informação: informar e formar.
São frequentes os comentários que se fazem a esta maneira de agir que olvida o dever, por vezes, da Moral, da Verdade, da Justiça.

Não se estranha, infelizmente, que se registe o declínio dessas três verdades, que são essenciais à vida das pessoas, das sociedades e da acção política.

Se olharmos atentamente para os órgãos de informação, sem fundo religioso, entre nós, registamos com facilidade que, aos olhos desses órgãos de informação, em Portugal no campo ético não há realidades, sejam factos já executados, sejam iniciativas lançadas. É um silêncio sepulcral.

Mesmo, quando se referem a Fátima em grande manifestação de Fé, acontece, por vezes, que não lhes dão o tempo que dão a outros acontecimentos de interesse menor e, até, por vezes, associam-nos a outros acontecimentos que se lhes não associam devidamente, como seja referir outras religiões que não a católica nesse momento. Não é um problema só de cultura, é, também, um problema que implica o dever da ordenação do direito de acordo com a verdade, a objectividade, e até a justiça.

São claras e oportunas as palavras de Almeida Santos e trazem-nos uma referência circunstancial importante: o medo ao poder da informação.

Tal facto nem devia agradar aos informadores, pois toca-lhes os defeitos, nem aos ouvintes ou leitores da informação, porque ao ouvirem os problemas vêem-nos deformados ou aproveitados como objectivos alheios à verdadeira informação.

Esta, a informação, impõe-se objectiva, independente e respeitosa, sempre, da verdade, da justiça e da moral.




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