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Segurança alimentar, preocupação de sempre

Em “O Comércio do Porto” -, edição de 14 de Julho, destaca-se, sob a epígrafe “EURO – 2004: segurança alimentar ainda é alvo de pouca atenção”, o que segue: «ao contrário do que foi efectuado na Expo 98, esta área parece não merecer atenção governamental.

N/D
11 Ago 2003

Menos de um ano antes do Euro 2004, evento que trará a Lisboa cerca de meio milhão de estrangeiros, um especialista em saúde pública apela à urgente criação de equipas para fiscalizar restaurantes e bares. “É necessário criar o mais rapidamente possível equipas especiais que acompanhem os restaurante dos próprios estádios”, disse António Suspiro. O médico é responsável pela aprovação dos projectos dos estádios no que respeita à área da alimentação.
“O evento será no Verão, quando há muitos insectos. Há pragas próprias destes grandes ajuntamentos, como pragas de insectos ou roedores. Devia haver equipas a acompanhar estas situações, como o próprio controlo da água de abastecimento”, insistiu.

Para o médico, “na área de saúde pública, tirando os problemas do terrorismo, é a segurança alimentar a situação de grande risco” deste tipo de eventos.

Cada um dos dez estádios preparados para o Euro 2004 terá entre um a quatro restaurantes e entre 12 a 30 bares.

Os técnicos de saúde pública têm alertado para a necessidade de haver equipas que fiscalizem o que é vendido e consumido nestas instalações.

“Do ponto de vista da concepção dos estabelecimentos não há problemas. Todos os projectos foram aprovados tendo em conta critérios rigorosos. Mas também está provado que os problemas de segurança alimentar não surgem por problemas nos estabelecimentos mas fundamentalmente pela forma de tratar dos alimentos”, explicou António Suspiro.

Mas o maior problema estará fora dos estádios, nos restaurantes das cidades onde vão ser realizados os jogos do Euro 2004.

António Suspiro lamentou que não tenha sido organizada uma equipa para escolher um número de restaurantes que, no país inteiro, aderissem à organização do Euro 2004 e pudessem ter sido fiscalizado durante três anos.

À semelhança do que aconteceu na Expo 98, deveria ter havido uma equipa que preparasse medidas dentro e fora dos estádios, ao nível da segurança alimentar. “Isto para criar condições de profis-sionalismo nos restaurantes. Mas isso não aconteceu, apesar das propostas dos técnicos.
Obviamente que dentro dos estádios ainda estamos a tempo. Fora dos estádios o tempo já passou. O trabalho deveria ter começado há três anos”, lamentou».

O facto é que se o Euro 2004 é importante, o País é-o mais ainda. E a segurança alimentar continuará a andar pelas ruas da amargura se à criação da Agência para a Segurança Alimentar e ao seu funcionamento adequado se não seguir a criação ou a restauração e a ampliação de um corpo inspectivo adequado.

Ora, é indispensável ainda avançar pela formação dos manipuladores de alimentos e a introdução da Carta do Manipulador, que se nos afigura fundamental.

Pense-se no EURO 2004, mas não se ignore o Portugal eterno – o de 2003 em diante e não circunscrito aos turistas e ao próximo ano.




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