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Em busca do silêncio

O silêncio é o mistério do mundo futuro. A fala é o órgão do mundo presente. Muitos buscam com avidez, mas encontram unicamente aqueles que permanecem em silêncio. Todo o homem que se deleita numa multidão de palavras, ainda que diga coisas admiráveis, está vazio por dentro” (Um Monge de Cister).

N/D
9 Ago 2003

Vivemos, de facto, no mundo da palavra. Da multidão de palavras e nem tempo tem para hierarquizar e valorar o que nos chega. Talvez por isso muitos pensadores contemporâneos falam da “Era do vazio” (v.g. Giles Lipovestky).
Não temos lugar para nós. Nem para o Outro. Estamos mais pobres.

Urge encontrar nas nossas vidas algum tempo para o silêncio activo: reencontro connosco próprios e com Deus.

Não é por acaso que a Regra da MSM (Cap. XI, pag. 6), referindo-se à importância da oração diz: “Os freires farão em cada ano um retiro fechado de vários dias num mosteiro, a fim de ter parte nas graças abundantes que irradiam desses lares benfeitores de oração.

Aprenderão, assim, no silêncio e no recolhimento da solicitude monástica a melhor compreender a sua vocação e a responder-lhe cada vez com maior generosidade”.

De facto, Deus fala-nos no silêncio. Silêncio procurado não para nos tornarmos indiferentes ou nos alienarmos da realidade que nos cerca e interpela, mas para aprofundarmos a nossa demanda espiritual e, consequentemente, respondermos melhor às interpelações do mundo.

É este o silêncio que nos faz falta.




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