Fotografia:
Cruzadas

Palavras cruzadas/Letras misturadas/
Sempre em dois sentidos/
É o tempo a passar.

N/D
9 Ago 2003

Talvez porque em férias o tempo corre devagar, deu-me hoje para divagar.

Longe de mim abordar o assunto histórico que o título sugere, tanto mais que ele não faz parte do meu percurso profissional. Fui em devido tempo obrigado a abordá-lo como aluno, tendo então constituído para mim uma autêntica cruzada o seu estudo. Além do mais e segundo os entendidos, em História a interpretação que hoje se dá a um determinado facto pode não ser a mesma de amanhã. Leigo que sou na matéria, apenas dou dois exemplos como prova do que afirmo.

Estudei então, entre muitos outros assuntos, a Batalha de Aljubarrota (tal foi a injecção que ainda hoje sei de cor metade do texto que a descreve no livro da minha quarta classe; de tal modo que em casa gozam comigo no dia 14 de Agosto de cada ano); mas ouvi há dias falar dos estudos de um historiador que tem uma explicação diferente para o modo como decorreu a batalha. E como não sou ninguém (embora seja romeiro na peregrinação da vida) cito em segundo lugar o conto “Desconfiemos da História”, de Altino do Tojal, incluído na colectânea “Contos do Minho”.

Voltando à vaca fria do início do texto, direi que, sentado no areal e cruzadas que pus as pernas, pego no jornal para tentar resolver o problema das respectivas palavras (vá lá, que as do D.M. de hoje até parecem acessíveis, coisa que por vezes não acontece).

Com o respectivo quadriculado de abertos e tapados à minha frente, preparo-me para dar início à resolução do problema quando decido prestar atenção a uma conversa que se desenrola por perto, pois penso que se estão a referir a um passatempo como o que vou iniciar (até aqui nada de especial pois já o tenho feito também a dois). “Tens estes abertos e depois estes tapados a seguir; aqui depois destes abertos deita-se um ao ar e pega-se depois no fechado”.

Percebo então que de um novelo vão desenrolando linha para tirar uma amostra de renda. E aquela parte de atirar ao ar e pegar depois também eu sou capaz de fazer; é só deitar a renda ou o novelo ao ar e pegar-lhe a seguir quando o mesmo vier a demonstrar a existência da lei da gravidade. Está visto que de rendas não percebo nada, a não ser das que em tempos paguei quando vivi em casa arrendada.

Letras ordenadas
Palavras decifradas
Sempre em dois sentidos
Assim para acabar.

Ao largo, bem lá no alto mar, entretanto cruzam-se dois barcos de grande porte; são ambos cargueiros, vê-se bem, um a vir do e outro a dirigir-se para o porto de Viana (aqui no norte subentende-se logo que é do Castelo). O maior parece mesmo aquele que ontem se cruzou com o sol no momento em que este estava a tocar o mar na linha do horizonte. Foi das vezes que mais lamentei não ter a máquina fotográfica comigo.

Não me atrevo sequer a descrever o quadro de contraluz, pois nunca seria capaz de dar a ideia das nuvens que lhe serviam de fundo e muito menos da tonalidade com que o sol se foi espreguiçando nesse fofo colchão até se meter totalmente debaixo do lençol de água.




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