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750.o aniversário da morte de Clara de Assis

Faz na próxima segunda-feira, dia 11, 750 anos que Clara de Assis morreu; melhor, passou desta para a outra vida com a maior serenidade.

N/D
9 Ago 2003

Já muito doente, não pôde assistir com as Irmãs ao Oficio de Natal, mas enquanto permanecia só no seu catre, foi-lhe dado ver as cerimónias que nessa Noite Santa se passavam em Assis, na Igreja que guarda o corpo de S. Francisco.
Quando as Irmãs chegam e lhe contam as cerimónias em que acabaram de participar, ela conta-lhes que «pela graça de Deus» «viu o que se passou em Assis». Por isso os profissionais da televisão a escolheram como padroeira e protectora.

Clara Favarone nasceu em Assis ou em 1193 ou 1194, e bem cedo o seu coração se orientou totalmente para Deus, ao mesmo tempo que desejava conhecer aquele que viria a ser o seu guia espiritual – Francisco de Assis que já inflamava as almas com a sua pregação e sobretudo com o seu exemplo de extrema pobreza, que vivia e fazia viver aos que a ele se associavam, com uma imensa alegria.

Francisco também já ouvira falar de Clara e percebeu que ela podia vir a seguir um caminho semelhante ao seu. E assim aconteceu. Depois de conhecer pessoalmente Francisco, fascinada pelo seu ideal de vida, diz adeus às esperanças do mundo e segue a vida evangélica.

Na manhã de Domingo de Ramos na catedral de S. Rufino o bispo entrega-lhe os ramos benzidos; durante a noite, acompanhada da sua amiga Pacífica e vestida de noiva e adornada com as suas jóias, foge de casa e chega à Porciúncula onde Francisco e os seus companheiros a esperam. Despoja-se das suas jóias, Francisco corta-lhe o cabelo e ela troca o seu vestido de noiva por uma tosca túnica – começou a sua vida de Senhora Pobre.

Clara adopta o programa de vida do Poverello e rapidamente outras jovens se lhe juntam. Era o começo de uma nova Ordem Religiosa – as Clarissas, que prevê, entre outras coisas, que «todas as Irmãs estão obrigadas a guardar a pobreza inviolavelmente até ao fim».

Tudo se faz com os exemplos e conselhos de Francisco a quem Clara promete obediência, bem como todas as Irmãs que entretanto iam chegando. Essa obediência ficou assinalada que se estendia aos sucessores de Francisco.

O seu propósito de viver a castidade fica patente aquando da sua entrega e da imposição da sua veste pobre e humilde.

Assim, pouco a pouco, e decalcando a Regra dos Irmãos, foi nascendo a Regra das Clarissas. O Senhor colocou Francisco no caminho de Clara para a comprometer na busca da perfeição evangélica.

Clara na sua vida não fez mais se não amar a Deus, seguindo Cristo na maior pobreza, docilidade à Igreja e uma imensa caridade, tudo isso caldeado na sua oração contemplativa. Na vida de uma Clarissa todas as coisas temporais e o trabalho em particular devem estar ao serviço da oração. Vivendo em comunidade, recitava o Ofício Divino e assistia à Santa Missa que um Frade Menor celebrava e administrava os outros sacramentos.

O seu desejo de viver uma pobreza tão extremada teve muitos opositores, mesmo entre Papas e cardeais. Lutou e conseguiu o seu «privilégio» – não possuir nada, nem sequer colectivamente.

Chegam a precisar de comida e a passar fome, mas em S. Damião vivia-se de esmolas, mas esmolas não valiosas. Clara não gostava delas, a ponto de não querer receber pães inteiros, mas só pedaços, sobras. Isto porém não impedia que o seu bom senso procurasse o necessário para as irmãs doentes ou mais fracas.

E no meio de tudo isto reinava a alegria: «estavam sempre alegres no Senhor». Trabalhavam intensamente, mas não tanto que prejudicasse a oração, apesar de Clara considerar o trabalho como «uma graça concedida pelo Senhor».

Mas a Santa Abadessa era uma alma aberta ao mundo e se tinha solicitude para com as suas Irmãs, também praticava uma fraternidade cheia de bondade com todos os homens, com o mundo e com a Igreja.

Podia pensar-se que o seu grande amor a Deus abafasse as virtudes humanas de Clara, mas não.

Tanto aos 18 anos como no leito da morte, quer trate com o Papa ou cardeais, quer com Francisco, quer com a família ou as Irmãs Clarissas, sempre manifestou prudência e firmeza, pureza de intenção e uma coragem indómita.

Temos entre nós, felizmente um bom número de Mosteiros de Clarissas – são elas que com a sua vida ajudam a que este mundo não se afunde no mal. João Paulo II, assim pensa, pois quis estabelecer um Mosteiro no território do Vaticano, onde as Irmãs permanecem em adoração perpétua ao Santíssimo Sacramento, para o ajudar a levar para a frente o governo da Igreja.




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