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Chover no Molhado (6)

O organismo global tem suas próprias necessidades, seus próprios desejos, suas próprias aspirações. E o organismo global vive-as, sente-as. Isto disse-o ele à própria pessoa ao contá-los pelos dedos: necessidade de conservação; de crescimento; de socialização; de transcendentalização, bem como o desejo de lhes dar uma organização, uma unidade, um sentido, tudo isto agasalhado num propósito bem definido: o da auto-construção ou auto-reconstrução de seu próprio mundo interior, aqui, onde cresce seu bem total. E disse também que punha nisto todo seu enlevo e satisfação.

N/D
8 Ago 2003

É evidente, o organismo global tem seus próprios motivos, como também sua própria energia, a energia vital, para os realizar. Esta energia de carácter vital, dinâmica e potencial, espelhado em seus impulsos, invade tudo: invade a razão; invade os sentimentos; invade a acção.
A razão é impulsionada pelo desejo que tem de conhecer a realidade. O sentimento é impulsionado pelo desejo de a viver. E a acção é impulsionada pelo desejo de construir a realidade de seu mundo. Mas há um problema, cuja solução compete à pessoa, que se levanta à volta do impulso. E o problema parece estar aqui: se a pessoa confere ao impulso, um sentido positivo em ordem à construção ou reconstrução de seu total, a pessoa torna-se, então, mais pessoa; mas se a pessoa, em seu relacionamento com a realidade total, desvia o impulso desse sentido, aliena-se. Deixa de ser pessoa em sua identidade. Não se torna mais pessoa. Aristóteles, se ouvisse isto, não se zangaria. Parece, então, levantar-se urgentemente uma questão que anda, me parece, à volta da liberdade da pessoa. E que me parece ser esta: a de dar ou não liberdade à própria liberdade. A liberdade só é livre quando a pessoa a deixa mover em todas as direcções positivas, globais e realistas. E todas as direcções assim o são quando se encaminham e entrelaçam em seu propósito de construção ou reconstrução do bem total, que se vai erguendo no mundo interior da pessoa. Porque esta é a vontade do organismo global, que é verdadeiramente a fonte da liberdade como liberdade.




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