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Igreja e pesquisas

Os jornais [brasileiros] estão trazendo o resultado de uma pesquisa da Sensus. Os entrevistados foram interrogados sobre a credibilidade das instituições. Eis o resultado: Igreja Católica, com 44% de aprovação; as Forças Armadas, com 12%; a Imprensa, com 11%, e só depois, muito depois, a máquina governamental e Judicial. Em último lugar, o Congresso Nacional, com 1,5%.

N/D
7 Ago 2003

Para muitos, ocupar o primeiro lugar é motivo de orgulho e o resultado da pesquisa passa a ser usado como material de propaganda. Para a Igreja, o importante é o cumprimento de sua missão, independente dos aplausos ou das críticas que receber.
O seu programa não é fruto de um consenso. Não é a vontade da maioria de seus fiéis que vai determinar o conteúdo de seus ensinamentos, mas o Evangelho. Poderia a Igreja estar agradando a todos e, mesmo assim, não estar sendo fiel à sua missão. Poderia, por outro lado, estar ocupando o último lugar em uma pesquisa e, mais do que nunca, estar correspondendo à sua missão.

O Evangelho esclarece melhor o que pretendo dizer: no Domingo de Ramos, quando Jesus entrava em Jerusalém sob espontânea aclamação do povo, uma pesquisa registraria que a maioria da população estava com ele, a ponto de querê-lo como rei. Se, poucos dias depois, os mesmos pesquisadores voltassem à cidade, ficariam surpresos. Aquele que fora aclamado como “Filho de Davi” acabava de ser derrotado num plebiscito feito por Pilatos. Um desconhecido ladrão de nome Barrabás ganhara a liberdade, a pedido do povo, e Jesus, a pedido do mesmo povo, começava uma via-sacra que terminaria no alto de uma cruz. Na hora da crucifixão, então, seu índice de popularidade estaria lá em baixo.

Em qual dos dois momentos, Domingos de Ramos ou Sexta-Feira Santa, Jesus correspondeu à vontade do Pai? Foi igualmente fiel nas duas oportunidades! Quem mudou foi o povo, cujos critérios de aprovação ou rejeição estão sujeitos, muitas vezes, ao gosto do momento ou à emoção que o envolve.

Não importa qual é o grau de prestígio da Igreja, nem que prestígio terá daqui a um, a 20 ou a 50 anos. O que importa é que procure ser fiel à ordem recebida de seu Mestre, de ir adiante, por todas as noções, ensinando-as a observar tudo quanto nos ensinou (cf. Mt 28,20).




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