Fotografia:
Estação da morte

Numa altura em que nos encontramos em plena estação estival, gostaria de poder partilhar com os leitores deste jornal o seguinte raciocínio lógico, cada vez mais lógico nos dias que correm: Verão ‘ Férias ‘ Viagens ‘ Estrada ‘ MORTE.

N/D
4 Ago 2003

Sem querer ser excessivamente pungente, julgo que esta lógica é verosímil e perfeitamente aplicável a esta temporada. Estamos, pois, em plena estação da Morte, mais uma vez.

Era minha intenção escrever esta carta com a tinta do optimismo e da esperança. No entanto, a caneta não quis funcionar. Restou-me pegar na caneta cuja tinta apenas admite que se escreva a realidade.

Na verdade, durante mais este Verão continuará a haver nas nossas estradas ultrapassagens mal feitas, excesso de velocidade, condutores sob a influência do álcool, condutores ao telemóvel, condutores que, por não quererem perder tempo, conduzem durante várias horas seguidas, sujeitando-se a adormecerem ao volante, crianças colocadas de qualquer maneira nas viaturas, condutores e passageiros sem cinto de segurança, enfim, um rol infindável de comportamentos que se resumem na falta de respeito, de consciência e de civismo e que serão causa, mais uma vez, da habitual “ruborização” do nosso asfalto.

Este ano não será diferente. Voltará a escorrer sangue nas estradas e lágrimas nos rostos. E como estas coisas não acontecem apenas aos outros, poderá ser que o sangue de qualquer um de nós ou dos nossos também venha a manchar as nossas estradas, ou que os nossos rostos se venham a transformar eles próprios em verdadeiras auto-estradas congestionadas de lágrimas.
Será apenas mais um Verão… o último para muitos de nós.




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