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Deixem-me rir!

Sim, deixem-me rir do que se passou, aquando do último jogo do F.C. Porto, em Sevilha, onde conquistou valiosa taça. Não falo do jogo em si nem tão pouco do seu significado nacional…

N/D
1 Ago 2003

Refiro-me à celeuma levantada pela presença – ausência de trinta dos nossos Deputados. Pelos vistos, sem qualquer convite oficial prévio, houve cerca de três dezenas dos referidos parlamentares que certamente mais apreciadores da bola e quiçá auto-presumidos ciosos de sã patriotismo, sem qualquer autorização superior, houveram por bem e até meritório, faltarem às obrigações para com a Assembleia (para connosco – portugueses eleitores), para, assim, poderem comprazer-se no cumprimento de outro dever (cívico, egoísta, pretensioso), supostamente motivador e até justificador da ausên-cia – essa sim – merecedora de sério reparo, que não se fez esperar. Perante tais ausências no Parlamento sem consentimento prévio nem justificações plausíveis, veio a decisão dos Vice-Presidentes da Assembleia, corroborada pelo respectivo Presidente: – “os Deputados que forem a Sevilha (futebol) terão todos falta injustificada”.

O mais engraçado veio depois: quem quis justificar-se com o motivo da bola saiu frustrado; quem, pelo contrário e manhosamente, referiu como motivo “serviço político” safou-se! Então não viram o Vice-Presidente alegre dizer isso mesmo!? Que não lhe competia duvidar dos motivos, alegados como “serviço político”, apresentados pelos Deputados…! Assim, é facílimo justificar todas as faltas: basta que o faltoso escreva “serviço político”! Não pode ser. E se tivessem ido muitos mais!? E se, por hipótese, alguns nem sequer tivessem saído de Portugal!?

Bem anda o Dr. Rui Rio, quando não quer misturar futebol com política! Eu digo até mais: nem tanta gente oficial deveria ter ido… Foi o Presidente da Republica (representava toda a nação), foi o Primeiro Ministro (representava todo o mundo político), foi o Governador Civil do Porto (representava todo o distrito). Mais gente para que!? Se o país está mergulhado em profunda crise económica e se faz tanto apelo à produtividade, à competitividade, à assiduidade ao trabalho, porquê e para quê tantos lugares vagos deixados por quem faltou e não devera tê-lo feito!?

Tantos trabalhadores que bem necessitavam de faltar ao trabalho por causas nobres e não o fazem porque o dinheiro não abunda, ou a justificação seria ne-gada…!

Por isso, amigo leitor, deixem-me rir!




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