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Pastoral Litúrgica

Fui uma das 1.500 pessoas que entre 21 e 25 de Julho estiveram presentes em Fátima, no XXIX Encontro Nacional de Pastoral Litúrgica.

N/D
31 Jul 2003

Entre os participantes predominavam, como não podia deixar de ser, os leigos. Jovens e adultos, senhoras e cavalheiros.

Uma igreja clericalizada não é a verdadeira Igreja de Jesus Cristo, o Povo de Deus da Nova Aliança. Corpo de Cristo, na Igreja há diversos membros com diversas funções, todos convergindo para o bem comum. Não há nela lugar para o faz-tudo, mas existem diversos ministérios que cada um, responsavelmente, assume.

Infelizmente há circunstâncias em que, na comunidade que é a Igreja local, o padre avança sozinho. Umas vezes porque não sabe ou não quer repartir tarefas. Outras porque encontra uma comunidade constituída por elementos instalados e acomodados, preocupados com o venha a nós, esquecidos de que é no dar que se recebe e de que se ninguém dá ninguém recebe.

O que levou aquele milhar e meio de pessoas a Fátima, algumas sacrificando parte das férias e investindo na hospedagem e na deslocação de dinheiro que gostosamente aplicariam noutras coisas?
Naturalmente que o propósito de melhor se poderem formar, a fim de melhor poderem servir.

Como disse, há na Igreja lugar para todos. Existem nela diversos serviços a prestar. E é preciso que tais serviços sejam prestados cada vez melhor, isto é, com cada vez mais consciência, mais competência, mais dignidade.

Ai da comunidade cujos membros vivem na convicção de que nada têm a aprender porque já sabem tudo, em nada têm a melhorar porque tudo fazem com perfeição, ou se consideram tão destituídos que se julgam incapazes de progredirem!

Centraram-se os trabalhos na santificação do domingo. Combinando a teoria com a prática, durante aqueles dias mostrou-se, com actos, como pode e deve ser a celebração da Eucaristia Dominical, como pode e deve ser a oração de Laudes e de Vésperas, como pode e deve ser a celebração comunitária do Sacramento da Reconciliação com a confissão e a absolvição individuais.
Tudo correu às mil maravilhas?

É evidente que há pormenores a corrigir, e certamente que os responsáveis, numa avaliação do trabalho feito, não deixarão de ter isso em conta. Por mim, penso que algumas das conferências poderiam ter sido menos longas e que teria sido muito vantajosa a distribuição dos textos em papel e não apenas em cassetes-audio.

Este Encontro Nacional de Pastoral Litúrgica deu-me a oportunidade de fazer uma ideia do muito que se tem feito nesta área, onde a música litúrgica tem lugar de relevo.

Não podemos, os que nos assumimos como cristãos, deixar paganizar o domingo. Temos de proporcionar, a quantos o querem fazer, modos de o santificarem, o que se não reduz à participação na Eucaristia. No entanto, esta, é bom sublinhá-lo, continua a ser o coração do domingo, e bom é que se não deixe de nela participar por comodismo ou por razões que não são razão.

A Eucaristia Dominical tem de ser um forte momento festivo da comunidade, que celebra semanalmente a Ressurreição de Jesus. Mas só haverá festa se todos nos empenharmos em fazer festa. Se, em vez de lamentarmos o que não se faz ou de falarmos do que outros poderiam ou deveriam fazer, cada um dos que nos consideramos realmente cristãos (e não apenas baptizados) formos verdadeiras pedras vivas desse edifício em construção que é a Igreja de Jesus Cristo.

A formação permanente de sacerdotes e de leigos é, como se tem sublinhado, uma urgente necessidade. Não para que se promovam ou se julguem mais. Não para que se exibam ou pavoneiem. Mas para que mais e melhor possam servir. E é de quem sirva – não como quer mas como deve ser; não onde quer mas onde é preciso; não quando quer mas sempre que faz falta; não com quem lhe agrada mas com quem Deus pôs ao seu lado – que a Igreja que somos precisa.




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