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Reflexões em tempo de férias

(…) Em tempo de férias é altura de parar para pensar, reflectir, meditar nos acontecimentos que diariamente a TV e os jornais transmitem. Fica-nos um sentimento de tristeza, às vezes alguma curiosidade e quase sempre mágoa pelo acontecido.

N/D
30 Jul 2003

Quando se comentam salários elevados, esquecendo salários de miséria, quando se analisam dados estatísticos e se verifica o assustador aumento do desemprego, o fecho de empresas, os jovens que terminam uma formação académica e seguem para o desemprego por falta de oportunidades; quando temos reformados com pensões mínimas, quando existem reformas tão desniveladas… quando se esquecem princípios básicos da Constituição dos Direitos Fundamentais, da declaração Universal dos Direitos do Homem Art.º n.º 1, vale a pena parar para, em silêncio, meditar, reflectir, verificar o que vai mal e se as palavras humanismo e solidariedade social não estão esquecidas.
Em férias forçadas ou merecidas, parar para pensar é exercício hoje mais que nunca necessário. Ler um bom livro, analisar palavras, lembro “Eugénio Andrade” e cito «São como um cristal, as palavras. Algumas, um punhal, um incêndio. Outras, orvalho apenas». As palavras e a realidade da vida têm, num contexto diferente, poesia e texto, significados precisos e adaptáveis aos tempos que correm.
Vive-se a correr, esquecendo o quão necessário é viver em e na sociedade, integrados, solidários e humanistas. Mas há Sinais… citando H. Manuel, numa frase de “Amo Quem”, «o vício do poder destroi o coração do Homem».

Aproveitei este tempo de férias para pôr em ordem ideias, também leituras e porque não aqui e agora, solicitar aos responsáveis do nosso país tornem os livros mais baratos, acessíveis a todos, para que educação, cultura e progresso não sejam apenas metas desejadas, mas antes realidades objectivas; que o incentivo à leitura e ao estudo também surja para esta via. E já agora curiosidade de leitor, para quando em Braga um novo Hospital e um novo edifício para o curso de Direito da UM? Em tempos estes casos foram referidos; porém, com o Euro 2004, tudo se silenciou.

Em tempo de férias vale a pena pensar no que ouve, lê, no que se diz, o que se faz, o que se pensa! Que a palavra solidariedade tenho sentido, se torne realidade e os exemplos surjam; que os sinais se vislumbrem, que os responsáveis solucionem a crise, que a solidariedade e humanismo não estejam de férias.

Evoluir é também olhar pelos desfavorecidos, favorecer sectores vitais como saúde, emprego, educação; é desenvolver o País e – isso estou certo – é também desejo de todos os responsáveis políticos.

Quando tudo evoluir positivamente, o cidadão entenderá e compreenderá que se comentem salários elevados; até lá, tenham paciência, é necessário dar exemplo, apertar o cinto.




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