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A democracia e a actividade política

Assistimos nestes momentos de vida social à proclamação, e muito bem, da necessidade e vantagens da democracia.

N/D
30 Jul 2003

Os tempos da ditadura deixaram graves problemas na sociedade e problemas de vária ordem: de convívio, de actividade económica, de formação intelectual da juventude.
Porque coarctou a liberdade, prejudicou a iniciativa individual ou colectiva e, consequentemente, criou o campo para os seus adeptos e, para eles, as facilidades de acção. Os factos eram graves, mas tornavam-se mais graves quando expressos e impostos pela legislação pública.

Na Europa Ocidental temos agora a democracia e, na Europa de Leste vemos os governos a correr para as democracias.

Acontece, no entanto, que ainda não há a democracia que respeite e promova os valores reais existentes há séculos. Pelo contrário.

A União Europeia não insere na sua Constituição esses valores seculares e históricos, não obstante serem pertença da mesma História, e o Papa João Paulo II tem-se batido pela presença dessa realidade na Constituição.

O Presidente da Convenção de Cristãos por Europa, Josep Miró e Ardévol, espanhol, referiu-se ao facto com esta clareza: «Toca o ridículo que o Preâmbulo faça referência nominal ao componente pelenista e romano, e salte directamente para os filósofos da luz, omitindo a referência cristã, sem a qual a ilustração resulta incompreensível. Ignorar – como o faz o texto – a realidade da identidade europeia, que tem como uma das suas componentes básicas o cristianismo, constitui uma imposição ideológica, e expressa a vontade política de que o laicismo excluente constitua a única categoria cultural e referencial possível, marginalizando assim o facto religioso».

Este facto trouxe para público reacções várias como esta que vamos transcrever. O Arcebispo de Toledo não se fixou, apenas, num caso, como o que acabamos de apontar. Foi mais longe, tornando possível que se enquadre num facto que está a sentir-se em grande escala.

Disse: «Não podemos negar a evidência de que existe actualmente a tentação de fundar a democracia num relativismo ético que pretende repelir toda a certeza sobre o sentido da vida, a dignidade do homem e os seus direitos e deveres fundamentais. Quando semelhante mentalidade toma corpo, tarde ou cedo produz-se uma crise moral das democracias».

Bela observação e objectiva.

Os políticos procuram os êxitos com uma visão pessoal e alheios à realidade, que a própria história confirma.

Infelizmente estamos num período da vida pessoal, social e política, em que a história parece já não ter sentido, nem interesses, a razão objectiva dos problemas que surgem não merecem o cuidado de governantes e dos cidadãos, a evolução que se regista nas comunidades familiares, económicas, culturais e científicas prendeu-se ao caso concreto que lhe interessa económica ou politicamente, e não com o dever de servir a sociedade e os seus valores.

Verificamos que estes problemas já se nem sentem e, portanto, nem se vivem nem preocupam o futuro das pessoas. Com fundamentos o afirma o Arcebispo de Toledo, que já citamos: «Não podemos negar a evidência de que existe actualmente a tentação de fundar a democracia num relativismo ético que pretende rejeitar toda a certeza sobre o sentido da vida, a dignidade do homem e seus direitos e deveres fundamentais».

É fácil registar o fenómeno entre nós, aliás apresentado pela Comunicação Social em alta escala.
Vê-se no desinteresse dos Pais, os quais por notícias públicas vão às escolas pedir boas notas para os filhos, mas não se interessam pela forma como se comportam e condissem; vê-se nos órgãos de Comunicação Social, sobretudo na Televisão que dão notícias censuráveis por um simples bom senso e se evitam reportagens que envolvam a Moral ou os bons costumes.

Estamos num momento muito grave no plano pedagógico e cívico, em que a noticia se torna um direito e a moral se descura, até quando o plano social a exigiria para correcção de problemas graves que nos assaltam ou tentam envolver.

A moral não conta, contam os êxitos económicos mesmo que eles ofendam a moral. O Arcebispo de Toledo disse-o com objectividade.




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