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Os deuses devem estar loucos…

Com a abertura do último troço de ligação à A3 não poderíamos ver o Sr. Presidente da Câmara mais contente e orgulhoso da sua obra, transpirando satisfação e dizendo que assim está quase completo o eixo rodoviário externo que tornará o trânsito em Braga manifestamente melhor, o que deve significar uma descarga de consciência após tantos avanços e recuos na realização deste projecto.

N/D
29 Jul 2003

Desta feita devo parabenizar este executivo por ter alcançado ntão nobre desígnio. Não posso porém deixar de dizer que não me esqueço que uma boa parte desse tal eixo rodoviário rasga zonas residenciais provocando grandes problemas aos cidadãos que nelas habitam… mas deixarei para trás a discussão do plano em si, sobre o qual já tive oportunidade de me pronunciar noutras ocasiões, para comentar uma situação que me deixou boquiaberto. Queira o caro leitor reparar que uma parte desse troço, supostamente novinho em folha, está já a ser repavimentado! É verdade, não se trata de uma anedota, nem tão pouco de uma brincadeira de mau gosto, é a pura e dura realidade.

Numa obra desta envergadura não é de todo admissível uma situação destas. Não podemos permitir que este descontrolo total continue a ser uma situação usual nesta cidade. Há que respeitar as pessoas e não gozar a cara delas desta forma gritante. Todos somos cidadão e contribuintes, todos elegemos os senhores políticos e como tal todos os senhores políticos devem prestar contas das suas condutas e das suas acções perante aqueles que os elegem, sejam de que partido forem, do governo ou da oposição. A situação está a ficar descontrolada e aquilo que outrora era feito de forma disfarçada, que só os mais atentos conseguiam vislumbrar, hoje é feito aos olhos de todos, sem o mínimo de pudor, porque já foi pura e simplesmente aceite como normal. É altura de dizer CHEGA!! É tempo de pedir explicações, de perguntar porque é que situações destas acontecem, de exigir todos os esclarecimentos possíveis e imagináveis, para que os senhores se apercebam que não estão acima de ninguém, dispondo do que não é deles como querem e muito bem lhes apetece. Não podemos enveredar pelo caminho fácil da ignorância, temos de ser justos mas exigentes para quem mexe com aquilo que é nosso, numa frase: Não podemos ser instalados!

Não pense também o caro leitor que o absurdo só acontece cá no “burgo”… se olharmos para o panorama nacional, deparamo-nos também com situações que são de pôr os nervos em franja a qualquer um! O desnorte é por demais evidente e atinge níveis que ultrapassam em larga escala o ridículo.

Olhemos por exemplo para o caso dos deputados da Assembleia da República que foram a Sevilha assistir à final da taça UEFA. Julgam estes senhores que aquele hemiciclo lhes concede direitos divinos que mais nenhum funcionário público pode ter. É ridículo colocar sequer a hipótese de considerar a falta à sessão do plenário justificada por um acto de puro lazer e diversão, em que não estava em causa a representação daquela instituição ou do próprio país (visto que este já estava representado).

Numa altura em que se fala bastante do desinteresse e da falta de confiança dos portugueses na vida política, lá vêm estes senhores fazer uma triste figura discutindo um assunto que apenas ridiculariza a instituição onde se deve respirar o mais puro ar democrático e institucional deste país. Mas o mais ridículo é que tal situação apenas está regulamentada há poucos meses e ainda nem sequer entrou em vigor, o que permitiu que esta situação passasse em branco.

Ainda no âmbito político podemos assistir todos os dias ao espectáculo degradante proporcionado pelos dirigentes do Partido Socialista que, em vez de desempenharem o seu papel tão relevante para a vida democrática portuguesa, resolveram enveredar pelo caminho do seu anterior líder de vitimização, dizendo que tudo lhes corre mal. O pior de tudo ainda é o facto de lançarem constantemente suspeitas de cabalas, de organização para denegrir a sua imagem, etc, em vez de trabalharem para reerguer o partido que António Guterres deixou no chão.

Se querem acusar, acusem, se querem denunciar algo, denunciem, mas façam-no como homens, frontalmente, com provas e de uma forma clara, em vez de se esconderem atrás de discursos retóricos e vagos, típicos de quem não sabe o que há-de dizer. Contribuam para a credebilização da instituição democrática de quem se dizem pais, em vez de a porem em causa para tentar resolver os vossos problemas.

Perante este cenário ocorre-me o título daquele filme cómico: “Os deuses devem estar loucos!”.

É tempo de dizer “the show must not go on”!

Senhores políticos, honrem os vossos cargos, ponderem bem as vossas acções porque têm uma nação de olhos postaos em vós…




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