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Chover no Molhado (4)

É deselegante, quando alguém vem falar connosco, não o ouvir e mandá-lo “vá de retro satanás”.Não é esta a atitude que vou tomar para com o organismo como um todo, ao dizer–me que o devo procurar conhecer e vivê-lo. Então que fale sobre si, que eu, pacientemente e com toda a atenção, serei ouvidos todos abertos para o escutar. O que vou ouvir e depois relatar está psicologicamente fundamentado.

N/D
29 Jul 2003

– Eu, organismo como um todo, tenho como minhas estas radicais necessidades e invade-me um desejo profundo em satisfazê-las. E nisto ponho todo o meu enlevo. E, antes que me perguntes quais são, eu tas digo. Não me interessa a ordem, mas começo por esta: a minha necessidade de conservação; depois vem a minha necessidade de crescimento; agora a necessidade de socialização; e por fim a minha necessidade de transcendentalização.

Apercebeu-se pela reacção expressa em meu rosto de que esta necessidade tinha para mim um não sei quê de estranho. Para mim, diga-se com verdade, a reacção permaneceu-me no incons-ciente, mas ele captou-a e disse-me: – É a necessidade que sinto de me relacionar livremente, positivamente, realisticamente e globalmente com Deus. E esta necessidade, se queres que te diga, continua para mim mesmo depois de terminar a minha existência sobre a terra. Continua a ouvir-me, pois não te disse tudo. Não te disse ainda, que uma qualquer destas necessidades tem de conter virtualmente, pelo menos, todas as outras. Isto é, tem de haver uma franca abertura e aceitação entre todas estas minhas necessidades. Esta é a minha satisfação! E a pessoa, se assim o não entender, não está comigo. Mas continua a escutar-me, pois ainda não disse tudo. Falei-te de minhas necessidades, mas de minhas necessidades no campo objectivo. Isto é, falei-te de mim, organismo global, como objecto.

Agora vou falar-te de mim, organismo global, como sujeito. Vou falar-te, então, de minhas necessidades subjectivas. Eu te digo. Tenho a necessidade premente de organizar todas estas minhas necessidades objectivas, de lhes dar uma unidade, de lhe conferir uma ordem, um significado, um propósito, um sentido. Disse-te tudo isto a meu respeito para que tu, pessoa, ao construíres o teu mundo interior, encontres nele alimento de tua maturidade, de tua identidade, de tua saúde psíquica, de tua personalidade e de teu comportamento em crescimento, através de relacionamentos progressivamente adequados à realidade total. E terminou assim: – O satisfazeres ou não minha vontade, é contigo. Calou-se e deixou-me.

Carl Rogers talvez se não entristecesse.




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