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Até o pequeno chinês se queixa… da crise

Há dias encontrei um pequeno chinês à porta do estabelecimento do pai. Numa breve troca de palavras, perguntei-lhe: ‘como vai o negócio?’ Ao que o petiz respondeu: ‘Está mau! Está crise’!…

N/D
28 Jul 2003

De facto, meia volta ouvimos as pessoas em queixumes atribulados, onde as mazelas pessoais ressoam no colectivo, vertendo lágrimas de circunstância e lamúrias de carpideira barata. Portugal tem-se vindo a tornar num grande ‘muro das lamentações’ – não há nesta referência qualquer ofensa ao local sagrado dos judeus – em que a nossa debilidade nacional ganha foros de projecção social, política, religiosa, económica… Há imensos profissionais do miserabilismo, prometendo, insinuando e ganhando protagonismo com a desgraça alheia.
Quanta comunicação social – de grande expansão, de referência ou popular – tem subido nas vendas à custa das misérias (so-ciais, morais ou sensacionalistas) de tantas figuras, figurinhas ou figurões. Durante uns tempos houve espertos – muito deles subservientes da política profissional, promotores de uma religião mais ou menos vanguardista – que tentaram vender sonhos enlatados, em vésperas de eleições ou em recurso anti-medo às doenças e sofrimentos. É quase recorrente ouvirmos grandes diatribes à incapacidade dos outros, desde que isso sirva para auto-promoção… de quem denuncia.

Portugal tem nos seus genes de Nação essa propensão sebastianista em que quanto mais se degradar a vida (social, colectiva ou familiar, pessoal) tanto parece crescer um relativo desprezo pelas suas qualidades, dons ou virtudes. Não é difícil cruzamo-nos com pessoas que tentam denegrir a sua terra – noutros casos exaltam-na tanto que entram nesse bairrismo doentio! – porque julgam conhecer melhor os seus conterrâneos e isso poderá parecer que a sua promoção ofusca as pretensões mais subtis de vanglória… Em muitos casos nota-se mesmo uma curiosidade menos saudável – na região de Sesimbra chama-se-lhe mesmo ‘calhandrice’ – em que será preciso descobrir algum que seja menos abonatório desse/a que está mais em destaque… no momento. O sucesso de uns torna-se-á, assim, sombra da incapacidade melindrada de outros!

Talvez esteja na hora de nos queixarmos menos e olharmos o futuro com realismo, esperança e bom senso. Pois dias virão em que teremos de ser sinais de confiança em nós mesmos, nos outros e, sobretudo, em Deus!

Apesar de tudo: ‘corações ao alto’, pois a crise é mais moral do que económica.




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