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Férias – Encontro com a natureza

1A palavra “férias” acha-se associada, na linguagem corrente, a descanso, viagens, leitura, praia, campo… natureza. A natureza aparece assim, frequentemente, como se fosse um tipo ou destino de férias diferente de outros, e até alternativo em relação a eles.

N/D
25 Jul 2003

Esta maneira de ver é perfeitamente compreensível, mas precisa de ser corrigida por outro tipo de leitura. Na verdade, cada um de nós faz parte da natureza, tem a sua identidade própria, que também é natureza. Por isso, necessita de se encontrar consigo, com os outros e com toda a natureza. Desse modo “retempera” forças e se reencontra a si mesmo inserido na sua origem, no cosmos envolvente e até na projecção eterna.

Os cuidados com a saúde e com todo o nosso ser, o aprofundamento de relações familiares, a permanência na “terra” de origem, os cuidados com o património familiar, a assunção de responsabilidades locais, as deslocações a outras “terras”, os passeios por montes, vales e planícies, a contemplação de horizontes próximos ou distantes… fazem parte do nosso encontro com a natureza durante as férias.

2. O mesmo encontro pode ser vivido pelas pessoas que não têm férias ou que as têm preenchidas por dificuldades várias na esfera da doença, carência económica, desemprego, complicações familiares e tantos outros problemas que podem afectar o dia-a-dia. Tudo isto faz parte da nossa natureza e se integra no encontro com a natureza envolvente.

Aliás, mal avisados andaremos se fizermos uma cisão radical entre o tempo de férias e o de trabalho ou estudo. Muito embora exista uma notória diferença entre esses dois tempos, e seja conveniente assumi-la, a verdade é que ela consiste mais no doseamento de actividades, relações e descanso do que naquilo que se faz e não faz.

Bom seria que o tempo de férias servisse para que os aspectos positivos dele próprio sejam vividos em todo o ano. Particularmente o encontro com a natureza e com as pessoas que não podem “gozar férias”.

Deste modo contribuiremos para «salvaguardar as condições morais de uma autêntica ecologia humana» (João Paulo II, Encíclica “Centesimus Annus”, n.º 38).




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