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Em louvor dos Avós

Escrevo a pensar nos Avós. Nos Avós que tive. Nos Avós que os meus Pais foram. Nos Avós que conheço ou com quem me cruzo, sobretudo, à porta das escolas, à espera dos Netos. Em todos os Avós.

N/D
24 Jul 2003

Vejo nos Avós um dom e uma bênção de Deus. Felizes os que podem beneficiar do seu apoio e da sua ternura, do seu acompanhamento e da riqueza da sua experiência.

No mundo de hoje, em que o pai e a mãe trabalham fora de casa, é, geralmente, com os avós que as crianças passam o tempo em que não estão na creche, no infantário ou na escola. São, muitas vezes, os avós quem os leva e os vai buscar àquelas instituições. E avós há que dedicam o tempo livre que a reforma lhes proporciona a substituírem a creche e o infantário, e a orientarem os deveres escolares e a recreação sadia dos que já frequentam a escola.

Substituindo os pais – o que não deveria acontecer – são os avós, em alguns casos, os primeiros catequistas dos netos. É nos seus joelhos que muitos aprendem a rezar.

Dada a crise que se abateu sobre a instituição familiar, e a facilidade com que certos pais – a pensarem quase ou só em si – rompem o vínculo que os unia juntando-se a uma terceira pessoa, é nos avós que certos netos encontram a segurança que procuram, o acolhimento de que precisam, a palavra amiga de orientação e estímulo a que têm direito e, até, a canção de embalar ou a estorinha que gostam de ouvir antes de adormecerem.

Na sociedade egoísta a que a vida sem Deus e sem valores éticos conduziu, é nos avós que hoje se encontra, muitas vezes, o amor desinteressado, o ombro que se procura, o confidente com quem se pode desabafar. Na sociedade das pressas dominada pelo stress e pela ambição do ter, ainda são os avós quem tem tempo, calma e disponibilidade para se dedicarem aos mais novos e paciência para os escutarem e com eles brincarem.

É impossível calcular o muito que se deve aos avós, mas infelizmente nem sempre se lhes manifesta a devida gratidão. Pais duas vezes, casos há em que são mais usados do que apreciados. E quando já não fazem falta para acompanhar os netos nos tempos livres ou nas idas e vindas da escola; e quando, em razão da saúde ou da idade, em vez de ajudarem precisam de ser ajudados, arrumam-se como um móvel em desuso ou um objecto gasto. Enquanto servem, há lugar para eles em casa; quando deixam de poder servir… a solidão ou o lar. Avós que passaram a vida a dedicarem-se aos outros nem sempre, quando precisam, têm quem se lhes dedique. Eles, que serviram com amor e ouviram com paciência, nem sempre têm quem os acolha e quem os escute.

Apesar disso, os avós fazem falta, e sem a sua presença a sociedade enregelaria. Como enregelaria também se os que o não são biologicamente deixassem de assumir atitudes e de ter gestos de avozinhos. Esta sociedade interesseira e consumista tornar-se-ia insuportável se lhe faltasse o amor gratuito e oblativo dos avós.

Na proximidade do Dia dos Avós, que Deus os abençoe e que os homens lhes sejam reconhecidos. E, como fazia aos meus Avós, que Deus tem consigo, deixem-me, Avós de hoje, que também lhes peça a bênção.




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