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Chover Molhado (3)

Perguntei, então, à pessoa de donde lhe vem sua força persuasiva e ela enviou-me para o indivíduo. Fiz a mesma pergunta ao indivíduo e indicou-me o corpo. Perguntei ao corpo e mandou-me ir ter com o organismo. Perguntei, então, definitivamente ao organismo e respondeu-me:

N/D
24 Jul 2003

– Mas qual? É que somos dois, e se queres que te diga, nenhum de nós separadamente te dá uma resposta completa e ajustada. Quem te vai responder, então, é o organismo global.
Eu que perguntei, vou partir daqui, daqui do organismo global e voltar novamente para o organismo global, sem desvalorizar tudo aquilo que me cerca.

– Olha, eu, o organismo global, sou o indivíduo. E o indivíduo, em suas relações com a realidade total, é a pessoa. Eu, organismo global, sou aquilo pelo qual o indivíduo é indivíduo. Logo, como vês, quem conhece o indivíduo, conhece-me a mim próprio. Eu estou no indivíduo como o indivíduo está em mim. E a pessoa está por mim incumbida de se relacionar com a realidade total. E lhe peço com todo o vigor, pois lhe concede a liberdade de aceitar livremente a realidade e de se abrir às suas exigências. Exigências estas de ser conhecida e de ser amada. De mim, organismo global, emergem todas as minhas raízes, a fisiológica e a psíquica, através das quais circula a abundante seiva de minha energia potencial. Estou todo em minhas raízes e minhas raízes estão todas em mim. E suas obedecem às minhas ordens.

Eu sou UM. E este UM brota da matéria espiritualizada, geradora de minha abundante seiva, que alimenta de energia todas as minhas potencialidades. Pelas minhas acções me conheces e se me conheces pelas minhas acções, não pões em dúvida o que te acabo de dizer. Ao indivíduo, em sua indivisibilidade, dei-lhe o nome de realidade inteligente, inteligível e o de matematicamente compreensível. E à pessoa baptizei-a com o nome de realidade inteligente, livre e afectiva. E eu, organismo global, transbordante de energia e de potencialidades, sou realista, positivo, racional, dinâmico, afectivo e livre. Estas são algumas de minhas propriedades. E onde está uma, todas as outras lá estão. E é delas, para te responder à tua pergunta, que se levanta a força persuasiva da pessoa a quem, mediante seu estabelecimento de relações evolutivamente livres, positivas, realistas e ajustadas à realidade total e suas exigências, incumbimos de construir, com fundamento nestas minhas propriedades, seu mundo interior. É que em mim, no mais profundo de meu interior, palpita, como o coração no peito, a mente de Deus. Deves, portanto, conhecer-me e viver-me, para assim evitares, no percurso de tua vida existencial, demasiados desvios, desvairamentos e arbitrariedades.

Sócrates, bem como Kant, se ouvissem isto, não se deviam levantar do túmulo para protestar.




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