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Vinde e descansai um pouco!

Vinde, retiremo-nos a um lugar deserto e repousai um pouco’ (Mc 6,31a). Podemos encontrar neste texto bíblico uma fundamentação teológica para a vivência do tempo de férias, sejam elas para os cristãos ou mesmo para agnósticos ou ateus.

N/D
23 Jul 2003

Às vezes ouvimos pessoas justificarem a ‘impossibilidade’ de terem férias. Se uns têm esta opção devido às dificuldades económicas, em que o dinheiro fica curto para o que é essencial; outros tentam encontrar razões para continuarem a trabalhar, invocando a falta de meios e locais de saída como alibis tanto pessoais como familiares; outros ainda arranjam múltiplos destinos (mais ou menos exóticos) para impressionarem vizinhos, companheiros ou familiares nem que para isso seja necessário apertar o cinto por uns dias ou meses; muito poucos usufruem de umas merecidas férias, tendo em conta tanto os meios disponíveis como as possibilidades em causa.

No entanto, raramente encontramos pessoas que usam o tempo de férias para darem mais espaço, oportunidade ou alternativa a Deus. E esta vertente não é preciso que tenha a conotação com algum exercício espiritual, retiro ou coisa piedosa.

Será importante, isso sim, colocar Deus como opção de vida, mais preferencial do que alternativa: olhar/contactar com a natureza, visitar amigos ou familiares, tornar-se permeável às coisas do espírito, exercitar a atenção aos outros – porque não ser até mais simpático na estrada, nas compras ou na rua! – sem qualquer interesse egoísta, cuidar de tarefas descuradas ao longo do ano – arrumar assuntos pendentes – ao menos na intenção…

‘Deus não tem férias’ – ouve-se, por vezes, na conversa de certos mentores religiosos. Mas será que Deus não está de férias permanentes na vida de tantos cidadãos, que se dizem ‘católicos não-praticantes’? Não teremos muitos cristãos tão acomodados na sua crença que nem as férias os sacodem para um tempo de maior seriedade de vida?

Como será importante descansar, sem exaltar a preguiça. Como será essencial repousar, sem promover a futilidade social. Como será fundamental descobrir a beleza de Deus na natureza, nas coisas pequenas de cada dia e naquilo que nos envolve, falando e descobrindo a nossa dimensão espiritual e eterna. Oxalá saibamos descansar com utilidade, serenidade e espiritualidade.




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