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“Euro 2004 cegou-nos”

Estas palavras o “Euro 2004 cegou-nos” são de Carlos Queiroz, técnico do Real Madrid e vem publicadas no semanário “O Diabo” de 24 de Junho deste ano, semanário que fez uma longa e larga audiência de personalidade sobre o “Euro 2004”.

N/D
23 Jul 2003

Os depoimentos efectuados são muito objectivos e por vezes, duros e negativos, alguns deles.O bispo de Aveiro, D. António Marcelino, disse que se trata de «um investimento oneroso demais para um País como o nosso» com «custos sociais bastante acentuados».

O mesmo semanário apresenta depoimentos vários muito objectivos e fortemente críticos olhando para as realidades que o País atravessa.

O jornalista Alfredo Farinha disse:

«A organização do «Euro 2004» é uma coisa; a construção de estádios novos por atacado, é outra. A pressa com que o Governo anterior se precipitou, torna definitivos os termos e condicionalismos do projecto, com exigências exorbitantes, tanto de fora para dentro como de dentro para dentro, não deixou espaço de manobra suficiente para uma mudança de rumo a meio do percurso. Tal pressa na fixação dum ponto de «não retorno» pode dar que pensar. Digamos que o negócio foi fechado a partir de uma condição «leonina»: construção, em simultâneo, de dez estádios novinhos em folha, um luxo, um desvario nunca antes visto no mundo inteiro, com a agravante de, estando o País à beira da bancarrota, constituir também um crime económico e social de tal gravidade, que deveria levar os seus responsáveis ao banco dos réus».

Outro jornalista Rui Santos disse:

«O País vai pagar caro este projecto, ao contrário do que apregoa Madaíl e largos sectores da classe política. Vamos pagar a vaidade e a inconsciência de uns senhores que se habituaram a ter barriga cheia. Às vezes cheia de nada».

O Estádio de Braga é apresentado como um bom exemplo, apontado por José Guilherme Aguiar, que disse:

«A construção dessa infra-estrutura dependeu de uma opção política do presidente da câmara, Mesquita Machado. Bilbao tem o seu Gugenheim e Braga tem o seu estádio. Não tenho dúvidas que o estádio ficará na história e, para já, figura como exemplo em todas as revistas arquitectónicas». A complexidade tecnológica e arquitectónica potencia os custos envolvidos na construção desta infra-estrutura. O “Diabo” apurou que a manutenção do novo estádio do Sporting de Braga vai rondar os 40 mil contos por mês».

Este problema surge, para já, na pena de estudiosos ou de responsáveis pelas decisões tomadas. É evidente que, avançando para uma tal decisão se deveria acautelar a despesa com as obras e o número de obras a realizar. José Guilherme Aguiar disse:«A Holanda e a Bélgica realizaram uma notável organização do Euro 2000, apenas com seis estádios».

Das palavras proferidas ou escritas tiramos uma conclusão: os estádios, o seu número e a sua construção bem como a sua conservação vão ser um pesado encargo financeiro. E o facto regista-se num momento histórico em que o País se debate com enormes dificuldades financeiras, as quais se vão projectar larga e longamente na administração pública.

Temos de assumir a responsabilidade de um acto do governo socialista, acto que se enquadra na grandeza faustosa de algumas obras nacionais, mas, estas, com significado histórico de Portugal no plano nacional e internacional. Os séculos vão passando e a História contínua a orgulhar-se dos feitos que os monumentos exigidos perpetuam.

O professor Veiga Simão escreveu o prefácio da reedição de “Portugal e o Futuro” de Spinola e nele se lê este parágrafo que transcrevo:

«Aproxima-se o momento de desfazer os múltiplos nós deliberadamente atados nos últimos quarenta anos para conhecer as grandezas e misérias desse passado, o que só é possível se comissões de verdade não forem dominadas por actores ansiosos em polarizar virtudes, esconder erros e branquear a História. Têm agora a palavra as gerações descomprometidas».

Em alguns meios da Comunicação Social, com destaque para a televisão, infelizmente a propaganda interessada sobrepõe-se à verdade, e esta deve pesar na informação. Exige-o a profissão e exige-se o bem social dela derivado.

As sociedades desviam-se, cada vez mais, do caminho da certeza, do bem, da influência dos valores morais na vida dos povos e desta maneira, comprometem a acção de reconstrução da verdadeira so-ciedade, que suspira e trabalha para um público e com ele para o bem legítimo dos cidadãos.




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