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Não vale tudo!

Asociedade portuguesa tem assistido nos últimos tempos a um conjunto de acontecimentos que a têm deixado perplexa. Refiro-me aos factos que têm sido notícia de abertura de telejornais e de destaque em muitos outros órgãos de comunicação social. Casa Pia ou Universidade Moderna são exemplos do que acabo de referir.

N/D
22 Jul 2003

A visibilidade das pessoas envolvidas torna claro que a justiça é universal e não poupa ricos e poderosos. É um bom tónico para a democracia que deve tratar duma forma igualitária todo e qualquer cidadão. Porém, não é menos verdade que o conhecimento público de crimes envolvendo, ou pretendendo envolver personalidades ainda há pouco tempo acima de qualquer suspeita, não deixa de ser socialmente doentio. Faz com que haja para o comum dos cidadãos uma perda de referências e isto leva, quer se queira ou não, a uma perda de auto-estima colectiva. Não quero de modo algum colocar ninguém acima da lei, mas apenas fazer uma reflexão sobre a sociedade que somos hoje.
Nos dias que passam e sobretudo nas gerações mais jovens vive-se para o presente. Cultiva-se muito mais o material e relega-se para plano secundário os bens do espírito. O que vale são as aparências. Importa ter, comprar, usufruir. É o culto da imagem que comanda. Os meios para o alcançar não são convenientemente avaliados. Percorrem-se caminhos de sentido único sem escutar a voz do senso comum. Ignoram-se os bons princípios e amesquinham-se os sentimentos. Esquecem-se as boas imagens e suprime-se a voz da consciência.

Sem referências fortes a sociedade fica mais fraca e o relacionamento dos seus membros torna-se frio, menos cordato e desumanizado.

O temor a Deus e os sentimentos de pecado são bases que vêm rareando. Personalidades públicas de áreas diversas são apontadas como presumíveis autores de crimes que chocam o comum dos mortais. E ainda há pouco eram exemplos para muitos cidadãos! Por isso torna-se fundamental que a Justiça seja eficiente e actue em tempo útil. Casos mediáticos não devem transformar-se em telenovelas que entretêm, mas desgastam o ego colectivo.

Urge preservar a auto-estima da socie-dade que todos queremos próspera e feliz. Não é com desânimos nem descrenças que o vamos conseguir. Tudo deve ser feito para valorizar cada português e levá-lo a acreditar nas suas capacidades. Com preparação adequada e trabalho somos capazes de suplantar os melhores.

Da explanação breve destas ideias devemos retirar uma outra conclusão não menos importante: nos diversos caminhos que possamos percorrer e nos objectivos que nos propomos alcançar é fundamental saber escolher. Na vida não vale tudo. Mais cedo ou mais tarde pagaremos pelos erros e omissões.




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