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Uma questão de princípios

Fica a gente parva e de cara à banda quando, há dias, ouvimos as declarações de Filipe Menezes. As televisões mostram-no numa afirmação, “não sou nem nunca serei candidato à Câmara do Porto” e, de seguida, em total contradição, mostram-no a afirmar, “isso foi há três anos”.

N/D
21 Jul 2003

Quer isto dizer que para este político, as palavras ditas em contextos políticos, são como os antibióticos, perdem a validade com o tempo. Sabemos muito bem quais as motivações que estão por detrás de Filipe Menezes e contra elas nada teremos a opor uma vez que é legítimo que pretenda e aspire a ser presidente duma câmara do tamanho do Porto.
Vila Nova de Gaia já é reino demasiado pequeno para tantas ambições. Por outro lado fugiria à provável lei das limitações dos mandatos. O que não é nada legítimo é dizer e desdizer com a mesma serenidade, com o mesmo avontade com que se afirma uma mudança de tempo, ou com tal desfaçatez de propósitos que espanta, como se mudar de palavra fosse a coisa mais corriqueira do mundo. São assim todos, dizem os que da democracia aborrecem e mais aqueles que seriam capazes de fazer as mesmas coisas, ou os que, sem condições, vogam ao sabor das ocasiões.

Não serão ainda todos, ficamos aqui os pés para dizer. Deixem-nos alguns para podermos continuar a acreditar. O prestígio que os políticos não têm, e gostariam de ter, perde-se todavia com atitudes semelhantes. A lama não atinge apenas um ou dois, quando salpica suja muitos mais.

Não sabemos que mais espantar: se a lata do dito senhor, em procurar uma desculpa para a mudança de opinião, se as vozes de opinião que de imediato o apoiaram. Pelos vistos estes senhores mutatis mutandis, têm sempre um séquito de tartufos, no âmbito dos seus reinados, e no meio dos seus aplausos, não faltam apoios, mesmo para as coisas menos dignas.

O enjoo de tais atitudes vai subindo até ao divórcio total porque se o vómito ainda alivia, o fartote mata por excesso. Por muito que oiçamos e nos façam estes senhores, não temos capacidade para aceitá-los, nem por habituação, que seria um remedeio, muito menos por convicção que será sempre uma saída tapada.

Em contraponto temos a atitude serena ou quase desdenhosa de Rui Rio; ao subtrair-se a comentários deu voz ao silêncio digno. Ele entende, e muito bem, que as palavras de Menezes chegam perfeitamente para lhe fazer a cara. Mas se um e outro tiverem de se defrontar em futuras eleições, o povo de futebol votará maioritariamente em Menezes que não em Rui Rio.

Seria tolice deste querer medir-se pela pintura e não pelo borrão. Ganha este perde aquela porque no jogo das paixões futebolísticas a medida é irracional e não uma questão de princípios. E se os dois se defrontarem, e,ntão, podem esfregar as mãos os socialistas do Porto porque da divisão de votos os benefícios certos




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