Fotografia:
Quem mexeu no meu queijo?

Éo título de um livro de Spencer Johnson. Mais que um livro, uma parábola. Era uma vez… há muito tempo, numa terra distante ou talvez não. Nessa terra distante ou talvez não, num labirinto de acesso difícil, viviam quatro personagens a comer um queijo que os deliciava. Dois deles eram ratos: o Fungadela e o Correrias; e os outros dois eram humanos: o Pigarro e o Gago.

N/D
18 Jul 2003

Todas as manhãs, os ratos e os humanos vestiam o seu fato de treino, calçavam os ténis, e lá iam, labirinto a cabo, cada qual à procura do seu queijo preferido.
O Fungadela cheirava-o à distância e o Correrias numa corrida estava lá. O Pigarro e o Gago tinham levado tempo a descobrir o caminho, mas agora, um a pigarrear e outro a gaguejar, não tinham problemas para o encontrar.

Não faziam ideia donde provinha o queijo, nem quem o pusera lá. Chegavam, cada qual acomodava-se como se estivesse em sua própria casa, calçavam os chinelos e, muito confortavelmente, punham-se a comer o queijo. O queijo tornara-se o “seu” queijo. Acabaram mesmo por se mudar para ali e fazer daquele corredor a sua casa favorita. Decoraram as paredes a seu gosto e, por vezes, até aí levam os seus amigos para lhes mostrar o queijo e fazer uma “patusqueijada”.Ora aconteceu que uma manhã, ao chegarem, descobriram que já não havia queijo.

Os ratos – o Fungadela e o Correrias – não estranharam por aí além, pois já tinham notado que à medida que o iam comendo, o queijo diminuía. Olharam um para o outro, calçaram outra vez os ténis e, um a cheirar e o outro a correr, foram pelo labirinto fora à procura de um outro queijo.

Com os humanos, Pigarro e Gago, o caso foi mais complicado. Se o queijo tinha desaparecido, é porque alguém o tinha tirado. Com que direito, se o queijo era deles? E, um a gaguejar e outro a pigarrear, começaram a barafustar e a meter no inferno a alma penada que tinha mexido no seu queijo. Sempre esperançados que o queijo voltasse a aparecer, começaram a vir mais cedo para o labirinto, a discutir, a gritar com quantas goelas tinham, a ver se o queijo aparecia; mas nada.
Procurar outro queijo? Ter de explorar outra vez desde o começo o labirinto? Era o que faltava. Já não tinham idade nem pachorra para isso. E ficaram muito tempo, o Pigarro a pigarrear, o Gago a gaguejar.

Ainda pensaram que o queijo estivesse por ali perto; até fizeram um buraco na parede ao lado, mas de queijo, nem o cheiro. Até que o Gago, depois de muitas jaculatórias, lá se decidiu. E de orelhas murchas, lá foi de novo procurar os ténis, que pensava nunca mais lhe serem precisos, e toca a meter-se de novo à procura de outro queijo. Encontrou efectivamente uma outra estação de queijo, mas estava vazia: só restos de queijo, que outros tinham já comido.

Estava para desistir, mas que diabo, sempre era melhor procurar que ficar em casa à espera que o queijo caísse do céu. E ainda bem que assim o fez, porque, às tantas, começaram a aparecer aqui e ali pedaços de queijo fresco; até que, seu pensado seu feito, acabou por descobrir uma grande estação de queijos, de todas as qualidades e marcas, como nunca vira antes. E, curioso, já lá estavam, todos satisfeitos, o Fungadela e o Correrias, num comer que Deus louvado!

Generoso como era, Gago voltou à procura do companheiro, a contar-lhe a novidade. Mas o Pigarro não se convenceu. «È a este queijo que eu estou habituado, foi dele que sempre comi. Quero o meu queijo de volta e daqui não saio».

Então, de volta ao seu novo queijo, o Gago escreveu para lição de todos os teimosos: «Cheira o queijo com frequência, para veres quando começa a ficar velho».

«Quanto mais depressa te livrares do queijo velho, mais depressa encontrarás um queijo novo».
«Quando se muda aquilo em que se acredita, muda-se aquilo que se faz».

É claro que este queijo pode ser um emprego, uma casa ou uma profissão; mas pode também ser um amor, um futuro, uma vocação ou uma missão.

Podemos ser como o Fungadela, sempre à procura de novidades; ou como o Correrias, sempre a correr para elas. Mas também podemos ser como o Pigarro, que não é capaz de aceitar a mudança; ou então como o Gago, que aprende a adaptar-se à mudança e, com ela, a descobrir um futuro melhor.




Notícias relacionadas


Scroll Up