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Presbitério enriquecido

Como membro do Presbitério Bracarense não posso deixar de me congratular com a próxima ordenação de treze novos sacerdotes. Dou-lhes as boas-vindas. Desejo-lhes as maiores felicidades centradas mais no dar do que no receber. Felicito a Igreja a que pertenço e com ela rendo graças a Deus por este grande dom.

N/D
17 Jul 2003

Ao mesmo tempo, sacerdote que sou há quase quarenta e quatro anos, permito-me solicitar-lhes um conjunto de coisas.

Em primeiro lugar, peço-lhes que assumam, de facto, o sacerdócio como um serviço e não como uma carreira em que, dada a escassez de clero, há emprego garantido.

Peço-lhes que, com a sua juventude, o seu dinamismo e o seu entusiasmo, rejuvenesçam, sem forçar, o nosso Presbitério, dando as mãos aos mais idosos, aprendendo com a sua experiência e sabendo conjugar o realismo de quem está com o idealismo de quem chega. Só caminhando lado a lado, compreendendo-nos e completando-nos, cumpriremos a grande tarefa que nos cabe de sermos mestres da Palavra, ministros dos sacramentos, guias da comunidade.

Que, juntos, acolhamos cada vez melhor todas as pessoas que nos procuram e saibamos ir ao encontro dos que, não podendo ou não querendo vir ter connosco, também precisam de conhecer a Boa Nova de que somos portadores.

Que, connosco, saibam sempre descobrir o essencial e dedicar-se a ele, tendo a coragem de deixar para mais tarde, quando não há tempo para tudo, o que não precisa de ser feito hoje, de harmonia com uma bem elaborada escala de prioridades.

Que, juntos, nos dediquemos ao específico da nossa missão. Que, juntos, preparemos cada vez melhor as celebrações recorrendo ao serviço dos diversos ministérios. Que todos tenhamos tempo para a celebração individual do sacramento da Reconciliação, estando disponíveis para recebermos quem nos procura e informando a comunidade de onde e quando podemos ser procurados.

Que, sem fugir a tradições que são de manter, todos nos esforcemos por ser padres do nosso tempo, empenhando-nos em transmitir aos homens de hoje, numa linguagem de hoje, utilizando os meios de hoje, a Mensagem salvadora de Jesus.

Que, juntos, nos consagremos com entusiasmo à catequese das crianças, dos adolescentes, dos jovens e dos adultos, ainda que tenhamos de renunciar a outros trabalhos bem remunerados mas que não precisam de necessariamente ser feitos por nós.

Que tenhamos todos a preocupação de formar cristãos cada vez mais adultos, cada vez mais conscientes, cada vez mais responsáveis, cada vez mais participativos. Que reconheçamos cada vez melhor a dignidade e a missão dos leigos na Igreja, que com eles distribuamos tarefas, que com eles também exerçamos a verdadeira corresponsabilidade.

Que saibamos descobrir cada vez mais as vantagens dos conselhos económicos e pastorais e a riqueza do diálogo no interior da Igreja. Que, pondo de lado quaisquer propósitos de vedetismo, todos sejamos cada vez mais cuidadosos no cumprimento das normas disciplinares a que estamos sujeitos, e saibamos cada vez melhor manter a unidade no essencial, respeitar a liberdade no discutível e colocar o amor acima de tudo.

Que, no mundo de assimetrias em que vivemos, estejamos cada vez mais atentos aos problemas sociais, pondo em prática a nova «fantasia da caridade» recomendada por João Paulo II, tomando cada vez mais consciência de que «a caridade das obras garante uma força inequivocável à caridade das palavras», sem, todavia, cedermos à tentação de reduzirmos as comunidades cristãs a agências sociais.

Que, juntos, participemos em actividades de formação permanente e programemos e vivamos momentos alegres de convívio e de lazer. Treze novos sacerdotes. Tempo de esperança para a Igreja. Que os saibamos merecer e eles nos não desiludam.




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