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Na era do ‘homo digitalis’

Os estudantes aprofundam os temas da sua área através da internet, de forma mais rápida, acessível e (talvez) eficiente. Já poucos passam sem recorrer – ainda sem a dita doença electrónica – diária e repetidas vezes à comunicação digital, tanto em ordem a serem informados como para terem acesso em linha constante e mais fácil de ‘falar’ com outros.

N/D
17 Jul 2003

No entanto, as novas tecnologias estão em permanente desactualização, tal a velocidade com que surgem novos produtos e diferentes programas, serviços ou ‘janelas’ à disposição dos navegadores… Aquilo que ontem era o último grito, hoje já está ultrapassado.
Ainda inseridos na ‘era de Marconi’, estamos diante deste ‘homo digitalis’, de que todos fazemos um pouco parte (mesmo sem nos apercebermos totalmente) com que temos de tratar, conviver e mesmo saber comunicar. Por isso, torna-se importante compreendermos algumas das suas (nossas) características:

• Em alta velocidade – tudo é muito rápido, nalguns casos não há tempo para reflectir sobre o que se faz ou sobre o que os outros nos dizem. À distância de um clique – onde um mero engano pode deitar tudo a perder – temos acesso a uma imensa panóplia de informação, podendo perigar a quantidade em detrimento da qualidade. Por vezes torna-se difícil digerir tudo aquilo a que se tem acesso!

• Numa ética da superficialidade – dada a velocidade a que tudo (isso) acontece gera-se (ou pode gerar-se) uma certa superficia-lidade tanto dos programadores como dos utilizadores. Nem sempre os valores éticos são os de melhor amadurecimento. Fazendo parte da mentalidade do ‘usa e deita fora’ – tão epicurista quão materialista! – a ética da era digital está mais ao sabor da (minha) utilidade do que da vertente de racionalidade e maturação das opções.

• Com uma linguagem esteriotipada – muito do que se diz é transmitido em código simplista, usando sinais e poucas letras, em ordem a fazer chegar a mensagem da forma mais concisa, precisa e incisiva. Dizer em pouco espaço e/ou tempo é desafio permanente.
Dado o contexto desta nossa reflexão, ousamos apresentar agora breves perspectivas nesta era do ‘homo digitalis’:

* Aos educadores (pais, professores, autoridades civis/religiosas/militares/culturais) sugerimos que saibam ter e transmitir valores mais do que formatarem inteligências!

* Aos meios de comunicação social sugerimos que tenham e saibam escolher/discernir a transmissão de ideais do que a mera exaltação do efémero que (talvez) vende melhor!

* Aos que têm o cuidado das religiões (sobretudo monoteístas e de matriz cristã) sugerimos que invistam mais energias em saberem veicular em linguagem adequada a vivência da fé, colmatando as lacunas da não-procura nos espaços de culto!

Afinal, todos temos um quê de ‘homo digitalis’. Assim saibamos usar este tempo com dignidade e responsabilidade pessoal e colectiva.




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