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Imigração: Que perspectivas?

Todos defendemos o direito a emigrar. O direito que as pessoas têm de encontrar uma vida digna na sua terra natal ou em qualquer outro espaço do globo.

N/D
17 Jul 2003

Estamos acostumados a verificar que a emigração parte de terras pobres, de países com poucos recursos; por outro lado, verificamos nesses mesmos países (o nosso não foge à regra!) que a riqueza está limitada a uns tantos senhores ou centrada nuns determinados monopólios económicos. O que nos leva a dizer que a pobreza de muitos não é motivado pela falta de recursos, mas pela injusta distribuição de bens e da exploração criminosa que continua a haver.
Já sabemos que Portugal, dum país marcadamente emigrante, tem passado, pouco a pouco, para um país também imigrante: cerca de meio milhão de estrangeiros legais já povoam as nossas cidades e ocupam muitos dos lugares de trabalho. Começam também a frequentar já as nossas escolas, as nossas Igrejas, os nossos cafés e restaurantes e ainda a admirar as nossas paisagens e a nossa arte.

Entretanto, os ilegais continuam a dar voltas à cabeça a muita gente e as autoridades pretendem que o cerco seja cada vez mais apertado.

Não julguemos que este problema é exclusivamente português. Outros países vêm-se em apuros de igual forma. Por esta razão se imporá que haja uma política europeia de imigração e que todos os países do espaço europeu actuem de forma semelhante no sentido da humanização das correntes migratórias. E para que cada país possa acolher com dignidade e civismo aqueles de que necessita para o seu desenvolvimento, é necessário que se acabem, de vez, as correntes emigratórias ilegais.

Desta forma dentro do nosso país tem que haver uma atenção grande não só para com as mafias que aliciam os trabalhadores ilegais sob falsas promessas e benesses enganadoras, mas também para com os patrões que, para pagarem menos, admitem a mão de obra, sem as exigências laborais, sociais e jurídicas a que, pela lei, estão obrigados.

Por outro lado, sabemos que Portugal ao admitir a mão de obra estrangeira de que tem necessidade, admite o trabalhador com todas as suas contingências e circunstâncias. É que o trabalhador não é apenas uma peça de máquina; ele é uma pessoa humana, ele é uma família, com obrigações mas também com direitos sociais, culturais, jurídicos, familiares e religiosos. E isto traz mais complicações ao sistema político e ao tecido económico.

Por isso, terá que ser muito bem avalizado tudo o que leva a uma sã e equilibrada integração na nossa sociedade, do imigrante que acolhemos. Esta é uma atitude fundamental, não só para o rendimento laboral, como para o equilíbrio psicológico e familiar e ainda para a paz social. Uma boa política de integração implica a crescente mentalidade de diálogo e de tolerância.

Nós que nos habituámos a encontrar o “diferente” longe de nossas portas (na África, na América…) temo-lo, agora, bem pertinho de nós, cruzando-se connosco todos os dias, fazendo paredes meias com muitos de nós, percorrendo os mesmos caminhos para o mesmo trabalho ou frequentando os mesmos lugares públicos.

Desta maneira, impõe-se o diálogo com outras culturas, com outros hábitos, com outras exigências; impõe-se a tolerância em frente a outros credos, outras etnias e outras criatividades. De facto, somos cada vez mais, um mosaico.




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