Fotografia:
Olhando para a casa portuguesa

Todo o cidadão deve olhar para o seu País com cuidado, com amor, com justiça e, se necessário, com sacrifício. É a casa portuguesa de todos os portugueses. Ela está situada ao alcance de todos nós para a admirarmos e para a servirmos com alegria e, se necessário, com sacrifício.

N/D
16 Jul 2003

Ultimamente, porém, têm-se ouvido e lido notícias que nos espantam, nos desgostam e nos impõem o dever de agir. Já ninguém duvida de que estamos a viver uma grave crise, que os analistas reduzem só ao económico, e outros ampliam-na à “moral”, chegando Ângelo Correia a afirmar que “a crise é moral, não é económica”.

Os políticos portugueses estão a sofrer uma grave influência que vem do estrangeiro: a negação prática dos valores morais na vida pública.

Ângelo Correia disse-o na RTP onde colabora e, há pouco, fez afirmações como estas: que Jorge Sampaio cultiva um certo folclorismo, e que a Comunicação Social é responsável, “embora parte” pela promoção dos falsos heróis. «Enquanto miseravelmente se esquecem aqueles que, no silêncio do estudo e da investigação, anonimamente, vão fazendo avançar o mundo».
E insiste: «A crise é moral, não é económica».

Ao lermos estas belas palavras de Ângelo Correia surgiram-nos realidades a confirmar esses comentários objectivos e muito actuais, da pena de Walter Ventura no semanário “O Diabo” de 8 de Julho corrente. Ei-las:

«Durante duas ou três semanas, Paulo Portas voltou a ser bombo da festa por decidir correr com D. Maria de Jesus Barroso da presidência da Cruz Vermelha. À parte alguma eventual deselegância do ministro da Defesa, vem-se a descobrir por auditoria à prova de bala a gestão desastrosa que a senhora fazia por aquela santa instituição, os atropelos legais consecutivos e outros erros de palmatória que só a prosápia ousavam justificar.

Piaram os jornais com o mesmo tom acre com que fizeram tiro a Portas? E a facúndia dos nossos trinta deputados que se intitularam embaixadores para irem ver a bola à hora em que deviam ter o rabo nas suas senatoriais cadeiras e a cabeça ocupada com assuntos mais sérios? Mostraram contrição, vergonha ou humildade? Qual o quê! Engrossaram a voz e exibiram a revolta dos ofendidos.

E o senhor Ferro, cada dia mais azedo pelo sentimento da sua geral falta de jeito e da sua particular insuficiência enquanto chefe da oposição? Modera o discurso, tenta acertar o passo, colaborar como devia na reconstrução do que ajudou a derrubar? Claro que não. Movem-no, aparentemente, dois desideratos: escapar aos inimigos internos que tentam fazer-lhe a cama e derrubar, ao menos atrapalhar, quem por cima dele chegou ao poder.

Mais cá para baixo, nada se vê de mais edificante. Esta semana, grupos de comerciantes desvairados insurgiram-se contra a colecta antecipada do IRS – o chamado PEC, só porque estavam habituados a não pagar nada. Os taxistas, os donos de restaurantes foram dos mais assanhados quando é certo que cobram a pronto e quase nunca passam uma factura razoavelmente católica e que rosnam impropérios aos que se atrevem a exigi-las. Para alegrar o cenário, uma associação empresarial chegou a pregar a revolta e o boicote à cobrança».

Estes dados que apresentamos aos nossos leitores e expressam a objectividade de Ângelo Correia: «A crise é moral». Esta, sem dúvida, que se reflecte, e em grande na vida social e política, e cresce com os escândalos da Casa Pia e de outros que agora andam nos órgãos de informação.

Ângelo Correia afirmou que a “crise é moral, não é económica”. De facto, se virmos atentamente os casos apresentados pelo “Diabo”, que transcrevemos, o problema é moral. Sem esta força humana, surge o económico a buscar o crescimento constante, permanente com desprezo total da função social e do respeito devido à pessoa humana.

As notícias que nos vão chegando de países, como o Brasil, onde o desequilíbrio económico é enorme e favorece o capital que domina o ambiente político, as mesmas notícias, como tais, não têm contribuído para alterar a mentalidade dos detentores das fortunas.

Impõem-se, pois, uma intervenção do Estado, o qual terá de agir com objectividade e prudência, mas deve fazê-lo com coragem e decisão. Entre nós, como se depreende dos casos que registamos, a culpa não é tanto do Estado como é dos responsáveis pelas actividades em causa e pelo respeito aos deveres humanos. Infelizmente há um certo desprezo pelas pessoas, quando os desrespeitadores não só desprezam a moral mas também os deveres humanos de solidariedade.

Oxalá que os factos que apresentamos sirvam para nos apercebermos da maneira como, até entre nós, se dispõe das obrigações morais para, atraiçoando-as, se servirem delas para o seu bem estar com desrespeito da lei moral e cívica.




Notícias relacionadas


Scroll Up