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O nome de Deus

Que o diabo foge da cruz… já toda a gente sabia!… Agora, que o nome de Deus – perante o qual, segundo o salmista, todo o joelho se deve dobrar – assuste tanto os políticos do parlamento europeu, causa mofa e provoca estranheza. Por vários motivos mas, sobretudo, porque não estima nem valoriza a inteligência e a cultura de tão ilustres personalidades.

N/D
14 Jul 2003

Vem tudo isto, a propósito da tentativa de omitir, na nova Constituição Europeia, uma alusão à influência e ao contributo dado pelas religiões cristãs, à civilização vigente nos povos das nações europeias.
A situação está longe de ser ímpar.

Já no decorrer dos tempos, em algumas nações, deparamos com diversas tentativas, visando a abolição do nome de Deus nas respectivas Constituições, aquando das Assembleias convocadas para a redacção do referido texto.

Portugal, terra de Santa Maria, que se sentiu vocacionado para «dilatar a fé e o império», por «terras nunca dantes navegadas», não foi excepção e também já alinhou na mesma infeliz directiva, malgrado a maioria de crentes em território nacional.

Para justificação desta singular conduta, costuma-se invocar o clássico dualismo de poderes, entre o imperador romano, denominado César… e o santo nome de Deus.

A verdade, porém, é que o famoso imperador, apesar do cargo e do poderio terreno, não deixa de ser obra criada por Deus, sujeito à vontade e ao poder divino, quer como pessoa, quer como magistrado governativo.

Uma outra razão, que para o caso não é despicienda, filia-se na escolha de Giscard d’Éstaing para presidir à prévia redacção do discutido documento.

Como se sabe, foi na nação que serviu de berço a esta personalidade política que se notou a tentativa, não só de endeusar a Razão, como a de a irmanar e confrontar com a fé religiosa.

Não admira, por isso, o proselitismo redigido no documento, na esteira do que fizeram muitos dos seguidores daquela filosofia racionalista.

Giscard D’Éstaing é um «puro sangue» francês, que ainda não compreendeu que, quer o «Deutchland über ales», quer o «chauvinismo francês» do «primus inter pares», não são aceites pelos parceiros comunitários.

Assim, nações que integram a Comunidade Europeia, como Portugal, já demonstraram, através dos seus legítimos representantes, que querem ver expressos, no documento constitucional, os sentimentos religiosos dos seus compatriotas e prometem bater o pé, à laica tentativa de ladear a questão religiosa.

A Constituição Política dum povo é, por assim dizer, a bitola por onde se vai medir o comportamento legal, ético e social da população a que se dirige.

Por isso, mal vai, quando não se enquadra no sentimento e no comportamento peculiar e característico do homem que deseja nortear.

Ora, a mentalidade do homem europeu teve por base a filosofia cristã, alicerçada, maioritariamente, nos princípios religiosos do cristianismo e sempre pautou a ética do seu proceder por linhas daí derivadas.

Assim, qualquer nova orientação política, estatuída para orientar a vida destes povos, não pode ignorar estes substratos religiosos e qualquer adepto do «seu a seu dono» achará justa e objectiva a citação no documento do nome de Deus.

De outra forma, será uma espécie de legislação contra-natura, que não satisfaz os desejos da população e o povo pode não se rever nela.

Apesar de todo o progresso científico, temos de concordar que ainda há, mesmo nas esferas mais evoluídas da sociedade contemporânea, uma ideia antiga e supersticiosa do Deus-Trovão, do Deus-Relâmpago ou «do Senhor a ralhar», que ameaça e perturba a razão de muita inocente criatura.

Por isso, procuram «fugir de Deus, como o diabo foge da cruz»!…

Só que Deus está em todos os lugares e, por isso, a fuga torna-se impossível.

É mais sabido desejá-lo, do que o ignorar!…




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