Fotografia:
Queirós no Real Rijkaard no Barcelona

O “lado oculto” de Queirós O futebol anda mal, todos o sabem. Aliás nem todos o sabem, parece. Transformou-se numa actividade comercial em que muitos aspectos da tradição (e os da própria essência da modalidade) estão a qualquer hora sujeitos a ser calcados ou postergados, em benefício de lógicas de lucro, às vezes bem obscuras. E assim, quem gostava de futebol fica triste, porque já percebeu que a partir de agora tudo pode acontecer.

N/D
11 Jul 2003

O viseense Carlos Queirós é um técnico mediano, igual a tantos outros em Portugal. E ainda com a desvantagem de não merecer a nota 20 no capítulo do relacionamento com os jogadores e com os adeptos. Verdade seja dita, que é pessoa de discurso muito polido, muito diplomático, que lhe serve com frequência para não retratar a verdade dos factos.

É certo que nos Mundiais de Juniores de 1988 a 91 (Riade foi em 89), Queirós levou os seus pupilos nacionais ao título, ou ao 2.º lugar. Contudo, esses pupilos eram nada menos que Baía, Figo, Fernando Couto, Paulo Sousa, João Pinto, Rui Costa, Jorge Couto, Capucho, Jorge Costa, João Manuel Pinto, Abel Xavier, Hélio, Morgado, Peixe e outros, cujo nome não me recordo. Qualquer “ceguinho” faria deles “campeões da Galáxia”…

Já no Sporting, Carlos Queirós deixou perplexos os entendidos, quando nas épocas de 93-94 e 94-95, por inimizade pessoal, mandou o goleador Cadete para o banco (ele que havia sido o melhor marcador nacional em 92-93); de forma que Cadete sairia para o Brescia; e após uma passagem pelo Benfica, rumaria à Escócia onde, já em fim de carreira, no Celtic, seria o melhor marcador do campeonato escocês e um estrangeiro que deixou saudades.

E enquanto “castigava” Cadete (e também o internacional polaco Juskowiak, outro goleador), o treinador Queirós lançava e protegia o médio defensivo marroquino Naybet, deixando os talentosos Capucho, Carlos Xavier, Peixe e Valckx “a criar musgo”… Revelava assim, de forma mais ou menos clara, o seu íntimo anti-europeista, ele que ainda por cima nascera em Nampula, Moçambique. E, se dissimulado passou a ser o seu comportamento para muitos portugueses, dissimulado passou a ser também, ao que parece, o comportamento reactivo de muitos portugueses em relação a ele, Queirós.

2. E logo no “Madrid”…

Ora o famoso episódio Cadete-Naybet-Queirós lançou o técnico viseense para as altas esferas do futebol mundial, como seria de esperar. Em Portugal é que o seu prestígio ficaria largos anos abalado. Então, Queirós consegue levar a talentosa África do Sul à fase final do último Mundial (Japão-Coreia). Mas, tal como no Sporting anos antes, os adeptos sul-africanos não o querem (nem assim) à frente da selecção; provavelmente porque (a par da não-escolha de certos jogadores) percebem que o sucesso se deveu mais aos jogadores, que a Queirós.

Mas logo as protecções do “mundo das trevas” levam o “nosso herói” para treinador-adjunto dum dos maiores clubes ingleses, o Manchester Utd… O prestígio aí alcançado (sabe-se lá com que sacrifícios, para aturar aqueles nórdicos arruaceiros “cervejómanos”) faz com que a mal informada (ou demasiado bem informada) ac-tual direcção do Real Madrid o contrate para seu técnico principal.

Mas agora, para que a alma magrebina e nampulense de Queirós possa desabrochar e florescer insuspeita, na conservadora, monárquica e albicolor agremiação desportiva castelhana, ao “nosso homem” é permitida a companhia de um dourado pagem. Queirós faz-se acompanhar de Beckham, aquele inglês louro que anda sempre de brincos, com chuteiras coloridas, penteados assimétricos e a fralda de fora… Com quem se irá malquistar, desta vez, Queirós? Já esperamos ansiosos.
3. Rijkaard a treinar o “Barça”…

Se o que promoveu Queirós foi o caso com Cadete e Naybet, já o que promoveu Rijkaard foi a célebre cuspidela nas costas do grande Rudi Voeller, num célebre Alemanha-Holanda. Rijkaard é um atlético mulato que chegou a passar uns meses pelo Sporting, no primeiro mandato do inefável Sousa Cintra.

E ao contrário do mouro Naybet, Rijkaard foi um bom jogador, ao lado de duas estrelas: Van Basten e o “ultramarino” Gullit. Só que, como treinador, Rijkaard é tão bom como Queirós… Porém, pela minha parte sou até capaz de dizer que o “afilhado Rijkaard” é o treinador indicado para o Barcelona, já que pessoalmente não simpatizo com o Barcelona e muito menos com o Rijkaard (era o que dizia Pinto da Costa acerca do mérito de Vale e Azevedo para ser presidente do Benfica). É que, o meu clube na Catalunha não é o “Barça” mas o seu rival, o Espanyol. Daí que, já vêem…

Só que, como também sou simpatizante do Real desde longa data, gosto de lá ver Figo, Ronaldo, Raul ou Guti. Mas muito lamento Beckham, Zidane ou Queirós. Enfim, coisas de nós outros, “espanhóis”…




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