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O Português do Vaticano

O anúncio de que o Papa João Paulo II deixa de falar em Português nas audiências gerais das quartas-feiras foi alvo de comentários mais ou menos discretos.

N/D
10 Jul 2003

Ao que parece, a própria diplomacia portuguesa (vd “Expresso” de 5 de Julho) «efectuou diligências junto do Vaticano para que a nossa língua mantenha o estatuto do Francês, do Inglês e do Alemão nas cerimónias oficiais»…
Recordo que, nas mencionadas audiências, o Santo Padre apresenta, em italiano, uma reflexão sobre um tema catequético. Depois, em escassos dois parágrafos, saúda, nas suas línguas, os grupos de peregrinos presentes na Praça de S. Pedro.

Tanto quanto sei, João Paulo II conti-nuará a usar o Português sempre que ali se registe,oficialmente, a presença de grupos que usem a nossa língua. Exigir que o continue a fazer para além destas circunstâncias é, ao menos para este Papa debilitado, demasiado.

Tenho, em contrapartida, uma outra preocupação: o sítio do Vaticano na internet recolhe os originais e algumas traduções de intervenções do Papa e não só. Ora, aí sim; aí gostaria de encontrar, a tempo e horas, a versão portuguesa. E não por razões sentimentais ou patrióticas…, mas simplesmente porque reputo importantíssimo que se facilite o acesso dos milhões que falam e lêem Português à doutrina que Sua Santidade propõe e explica.

Uma preocupação que se restrinja ao discurso viva voz das audiências semanais é, na minha opinião, muito redutora. Pergunto, pois: e os demais pronunciamentos e textos emanados do Santo Padre e da Santa Sé?… Ainda ninguém reparou no atraso e na qualidade da tradução de algumas dessas intervenções doutrinais e pastorais?!…

Quanto tempo demorou, por exemplo, a versão portuguesa do “Directório sobre a piedade popular e a Liturgia”? E a do manual pastoral “Droga e toxicodependência”?

Mais: alguém encontra no sítio do Vaticano a tradução portuguesa da última Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, já transcorrido? Ou da já apresentada versão italiana da Mensagem para o Dia Mundial do Turismo? Ou da Instrução “O presbítero, pastor e guia da comunidade paroquial”?

Alguém se lembra da “oportunidade” com que chega a “Carta aos sacerdotes por ocasião de Quinta-feira Santa”?

E poderia mencionar mais umas dúzias de exemplos, elucidativos. Ora, é esta lacuna que julgo prioritário colmatar. Não sei se isso passa pelo Vaticano, se por estruturas nacionais. Mas penso não estar enganado ao considerar que tal é mais importante que duas frases, muitas vezes perdidas na Praça de S. Pedro, que não deve confundir-se com um palmódromo turístico…




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