Fotografia:
Investigar para prevenir e intervir

Falta identificar, de forma cientificamente rigorosa e correcta, os motivos que levam alguns jovens a procurar, no uso das drogas, uma compensação afectiva positiva da qual carecem para se sentirem bem.

N/D
4 Jul 2003

A grande maioria dos jovens consegue ter uma sensação pessoal de bem-estar, mesmo em situações adversas; outros, porém, ainda que em contextos sociais e familiares à partida favoráveis, não se sentem bem, nada lhes dá alegria e bem-estar, isolam-se e acabam por encontrar nas drogas psico-activas o meio de alcançarem o bem-estar interior.
Face a esta aparente contradição é necessário estudar a fundo cada pessoa dependente de drogas e não se aceitar que tudo é social, é da família disfuncional, é das más companhias, é da oferta de droga à porta das escolas, é da falta de carácter ou da vontade débil para resistir às tentações, etc., etc.

É preciso ir mais fundo. É preciso desenvolver os estudos de análise cromossómica e dos polimorfismos genéticos dos jovens que escolhem usar drogas porque há sinais que sugerem que a vontade de usar drogas psico-activas, pode depender de um defeito genético que não permite o funcionamento normal dos circuitos neuronais que não activam as redes por onde devem circular os mediadores químicos capazes de gerar a sensação subjectiva de bem-estar.

Este defeito neuro-químico cerebral induz a necessidade psicológica de o substituir e essa substituição é conseguida com álcool ou com morfina, por exemplo. E gera dependência.

O conhecimento rigoroso desta predisposição neuro-biológica, particularmente em famílias nas quais os comportamentos aditivos ocorrem, pode permitir uma prevenção bem fundamentada e um tratamento mais eficaz, encontrando e usando substitutos sem o risco de habituação e de dependência ligados ao álcool, à morfina e a outras drogas psico-activas.

Temos de colocar entre parêntesis as convicções reinantes e avançar para um estudo científico dos dependentes de causa orgânica para compreender melhor aqueles em que o caminho para a dependência não é genético mas é, antes, ambiental.

Só um diagnóstico rigoroso pode permitir uma prevenção correcta e um tratamento eficaz.




Notícias relacionadas


Scroll Up