Fotografia:
Para um novo profetismo: denunciar – propor – fazer

«A Igreja pode denunciar [as opções políticas do país], mas o estilo da denúncia perdeu eficácia, porque as pessoas habituaram-se tanto a ser denunciadas por tudo, que aparecer uma voz a fazer mais uma… Não, a denúncia não é característica principal de um profeta» – disse D. José Policarpo numa entrevista conjunta à SIC Notícias, TSF e jornal “Público” por ocasião do seu jubileu episcopal.Estas considerações suscitaram-nos uma breve reflexão sobre três aspectos complementares numa atitude de compromisso cristão pessoal e eclesialmente sintonizado com a voz do Espírito de Deus, hoje:

N/D
30 Jun 2003

1) Denunciar exige atenção crítica àquilo que nos envolve. Quem anda desatento ou conformado com as coisas que o rodeiam terá pouca capacidade de denunciar. Quem anda demasiado ocupado com as tricas do dia a dia terá pouca lucidez para ver aspectos desconformes com os valores éticos. Há quem viva sob a saga do “dizer mal de tudo e de todos”, deixando-se ficar impávido sob o pedestal da sua imagem intocável.

Quantas vezes vemos pessoas – bispos, sindicalistas, políticos profissionais e órgãos de comunicação social – de verbo fácil e voz altissonante a denunciar coisas que estão mal – e estão de facto – mas cuja incidência não passa(rá) de dizer mal ou criar mera reivindicação!

2) Propor exige coragem para avançar com ideias capazes de mobilizar outros, dar perspectivas e, sobretudo, comprometer-se naquilo que diz. Nota-se um certo desdém das “promessas”, sobretudo em maré eleitoral, pois muitos conjugam, em tempos e formas verbais confusas, vários modos de fazer como Frei Tomás, “olhando o que ele diz e não o que ele faz”!

Há imensos arquivos com propostas que nunca foram tentadas. Há, de facto, muitos programas pastorais, eleitorais, autárquicos, etc., que nunca saíram do papel, tão irrisórios foram desde a nascença. Se houvesse mais tempero nas propostas talvez houvesse mais credibilidade em tantos sectores da vida pública, seja política, económica, social ou eclesial.

3) Fazer ou executar as propostas feitas, em atitude de coerência, é o mínimo que se exige aos proponentes. Diante da inflação da palavra, torna-se urgente viver noutra lógica de vida: levar a cabo aquilo que se propõe, tornando este mundo mais respirável.

Neste clima de neo-profetismo deve haver, sobretudo, lugar ao testemunho, isto é, ajudando cada um de nós a que este mundo se torne mais humano porque mais cristão. Profetas de vida coerente, precisa-se, com urgência!




Notícias relacionadas


Scroll Up