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Presidenciais abertas e pedagógicas…

Nas suas visitas abertas a várias cidades alemãs, Johannes Rau, Presidente da República, resolveu dirigir-se e encontrar-se expressamente com os jovens, estudantes e trabalhadores do seu país: mais de um milhão no desemprego, muitos qualificados, e mais de 50 mil por ano, saídos das universidades… até aos 25 anos.

N/D
28 Jun 2003

Num momento em que a política anda pelas ruas da amargura e os políticos obtêm a pior cotação de sempre nas sondagens da Comunicação Social, com grande desmotivação o Presidente intuiu que há algo a fazer.
Filho de um Pastor protestante, trabalhou como voluntário mais de 50 anos em diversas associações culturais, sociais, humanitárias e religiosas – alguns chamam-lhe até o “Bruder Johannes”, pois está constantemente a citar o Evangelho, embora tenha criticado Bush como um “falso profeta”…

Seja como for, esta digressão pelo país tem-lhe mostrado a situação real de muitos jovens, sendo ocasião e pretexto para ouvir e auscultá-los, quando os políticos parecem bastante distanciados deles. Desde os que não querem saber de política para nada e falam com desprezo das notícias de corrupção veiculadas, até aos jovens comprometidos nas Igrejas – ainda os mais respeitadores! -, muito tem sido transmitido através da televisão, fornecendo um sociograma policromo de uma geração, projecto para o futuro.

Nas suas afirmações mantém sempre esta verdade: se a política está velha e tem de mudar, é preciso sangue novo e que os jovens se sintam empenhados e se inscrevam nos partidos, sindicatos e grupos das Igrejas, ou outros, para transformar o cenário político. Chega mesmo a dizer que o devem fazer desde os 18 anos, e não apenas aos 30!

Não há outra forma de se tornarem intervenientes sociais, colmatando o egoísmo, vazio, conformismo e inércia de uma geração que se habituou apenas a exigir dos outros e criticar, na posse de um bem-estar que foi fruto de muito trabalho, dedicação e idealismo dos pais. Apresenta-se como exemplo e diz mesmo que, se foi eleito Presidente da República, foi pelos seus méritos; e que aceitou o desafio como um serviço à causa nacional.

Não se trata de um paleio estafado como estamos habituados a viver entre nós, com sentimentos de recalcados. Diz mesmo que a Escola só poderá ser eficiente, se complementada com a da vida, indo ao encontro do trabalhador, reconhecer as suas dificuldades, privações e esforços para sustentar uma família.

As teorias são bonitas, mas devem ser completadas pela prática. Aos jovens compete este esforço de vigia, como lutar, inscritos nos partidos, por um mundo melhor, mais justo e solidário… Não podem ser apenas espectadores, mas activos, intervenientes e comprometidos, dando por voluntariado uma parte à sociedade que os formou, com a contribuição de todos.

Os que hoje aparecem na esteira da sociedade foram educados e aprenderam no seu empenhamento social e humano, ao serviço dos outros. Por vezes, esses valores são mais importantes do que um diploma escolar, pois quem é capaz de estar ao serviço dos outros, é capaz de aprender outras tarefas e desempenhá-las com dedicação. Todo o trabalho é uma tarefa comunitária, que tem em vista não apenas uma compensação individual, mas colectiva.

Desde há muito me tinha apercebido desta deontologia, o que não é muito comum entre nós. Os próprios estudantes alemães, nas férias, dedicam-se a actividades profissionais, como alguns, mesmo a pequenos trabalhos, donde auferem os meios para fazerem viagens de estudo, independentes dos pais. Cada um procura o máximo, mesmo nas línguas estrangeiras, como intercâmbios universitários, que lhes possibilitam mais créditos para um bom perfil no emprego futuro. Estarão os nossos universitários a pensar o mesmo? Ou limitam-se a passear a “capa de estudante” em farras, fanfarras e garraiadas atrevidas de álcool e tricanas? Por que se criou entre nós a imagem do estudante enamorado e folião… e não de um trabalhador?!

As tunas académicas são uma bela tradição coimbrã, mas porquê em quase todas as universidades? Será esta a função, missão, ou o perfil da universidade? Por que não se desenvolvem ante orquestras para representação internacional como por aqui?! Como europeus temos ainda muito que aprender!…




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