Fotografia:
Gotículas de História

Dizem que a história é mestra da vida e até se repete. Seja ou não, é inegável que, para prender a atenção de crianças ou adultos, não há melhor método, do que contar-lhes uma história. Não que a, História seja apenas ou sobretudo um elencar de histórias. Não a História que dizem ser mestra e repetir-se e algo mais vasta, mais profundo, mais científico até. E que, sem História, nem os museus valeriam quanto valem nem o turismo teria tão grande interesse. A História ensina e com turismo e museus também, se aprende…

N/D
28 Jun 2003

Vamos, pois, aprender ou recordar algo que constitua, por assim dizer, gotículas de História. Tendo ouvido da boca dos nos- sos jornalistas presentes no Iraque, que «Bagdad era uma espécie de São Petersburgo», fiquei curioso em descobrir o fundamento de tal comparação.
Lendo e estudando um pouco, vim a saber que, Pedro o Grande, obedecendo ou não a uma lenda de um anjo que tal pedira, começou a construir em Maio de 1703, uma nova cidade – S. Petersburgo (cidade de Pedro), na foz do rio Neva, no Mar Báltico. Queria uma cidade imponente que fosse uma espécie de janela russa voltada para a Europa. Terreno pantanoso e sem matérias por perto, parecia um sonho louco. Milhares de escravos russos foram obrigados a trabalhos forçados. Arquitectos franceses, italianos e outros, puseram à prova o seu génio criativo.

A obra gigantesca durou anos a passar do papel à realidade. Passou então a ser capital da Rússia. Morto o seu fundador – Pedro o Grande – (1725), surgiram pressões para que a capital voltasse a Moscovo. A viúva – Catarina I – ainda resistiu mas o filho – Pedro II – cedeu e aceitou fazer-se coroar imperador, na catedral de Moscovo. Com tal mudança, S. Petersburgo começou a degradar-se.

A imperatriz (1732) voltou a transferir o capital e a admitir como que duas capitais: uma com vocação russa – Moscovo – e outra – S. Petersburgo – com vocação europeia. Nesta, os palácios sumptuosos multiplicavam-se cada vez mais. Chamavam-lhe até a “Veneza do norte”. Infelizmente, a imperatriz Catarina II (1762) acabou com as hesitações e fez de S. Petersburgo a única capital do império russo.

Mais tarde, com a agitação social e os vendavais comunistas de 1917, Lenine dá o golpe de estado e muda então o nome de S. Petersburgo para Petrogrado. Em 1924, passara a chamar-se Leninegrado, (cidade de Lenine), transferida, entretanto, para Moscovo o governo e a capital (9 de Janeiro 1918). Em 1941-1943, Hitler com as suas tropas pôs cerco a Leninegrado, onde destruiu e vandalizou grande parte da cidade.

Por fim, em 1991, a Rússia, fez um referendo sobre o assunto do nome, tendo sido definitivamente restituído o original nome de S. Petersburgo, a cidade deslumbrante e cosmopolita de outrora, cujos 300 anos de história serão solenemente comemorados com a presença de várias dezenas de chefes-de-estado, entre 10 de Maio e 14 de Julho do ano corrente.

Já compreendo o porquê da comparação jornalística, acima referida. S. Petersburgo é, na verdade, uma enorme cidade, carregada de história, repositório de sumptuosos monumentos, palácios faraónicos pela grandeza e riqueza, estátuas dos imperadores, mormente de Pedro – o Grande!
Bastará pensarmos na biblioteca nacional, onde existem grandes preciosidades, como, por exemplo, toda a biblioteca privada, de Voltar, comprada pela imperatriz! Que dizer também do museu nacional chamado – Ermitage – onde repousam peças de arte sem preço!? Bastará saber-se que até o grande Calouste Gulbenkian quis trocar petróleo por algumas peças, mas desistiu ao serem-lhe pedidos, já na altura, sete milhões de dólares!

Enfim: quem me dera poder um dia, visitar São Petersburgo!

Que o faça quem puder…




Notícias relacionadas


Scroll Up