Fotografia:
A batalha económica do século XXI

Estados Unidos, Europa e Japão são os três contendores na carreira pela supremacia económica do século XXI. Cada um tem os seus pontos fortes e as suas debilidades. Lester Thurow, decano da Sloan School of Management del MIT, faz um balanço das forças dos três rivais no seu livro La guerra del siglo XXI.

N/D
28 Jun 2003

O economista norte-americano acha pouco provável que no século XXI haja uma potência económica tão forte como o foi a Grã-Bretanha no século XIX e os Estados Unidos no século XX. Sem fazer futurismo, Thurow pensa que a Europa tem as melhores condições para o triunfo se souber actuar com senso.
Para que a Europa se imponha no século XXI, deve conseguir que se lhe agreguem, nos próximos 30 anos, os Países de Leste. O mercado europeu já é muito grande só ele, o que não será quando se lhe juntarem os mercados dos Países de Leste e parte dos da ex-União Soviética.

Outros trunfos da Europa são o nível de educação dos seus habitantes e a força da Alemanha. Esta é líder mundial na produção e no comércio e a União Soviética é líder nas ciências superiores – já enviou mais naves espaciais que os Estados Unidos. A Itália é líder no desenho industrial, a França na moda e na tecnologia, a Holanda na exploração agrícola, e o mercado londrino de capitais orienta os fundos para as áreas mais produtivas.

Isto é muito importante se a Europa Ocidental estiver disposta a conceder ajuda económica à Europa Oriental com o fim de estabelecer aí o capitalismo. Também deve ter de superar as antigas rivalidades na-cionalistas, de modo que os diversos povos adoptem uma postura “europeia”. Se aproveitar as vantagens estratégicas a Europa pode ser a principal superpotência económica dentro de 50 anos. Thurow não vê contudo a Europa como a primeira potência no campo militar.

Considera Thurow que o Japão deve abrir-se, pois o seu maior problema é a sua cultura. «O Japão deve mudar, ser mais aberto ao mundo. O seu erro é pensar que deve fazê-lo para se assemelhar aos Estados Unidos ou à Europa». Outra desvantagem do Japão é querer conquistar toda a indústria e expulsar os outros. O mundo, porém, não aceita resignado que o Japão se apodere dos mercados no exterior.

Quando se trata de realizar investimentos, os japoneses vão à frente, mas quando se trata de reunir aliados no mercado comum o Japão não é solidário, não está disposto a pagar para que os países pobres da costa do Pacífico se ponham à altura do seu nível de investimentos ao passo que os países ricos do Norte da Europa têm ajudado os mais pobres do Sul. Também não está disposto a abrir os seus mercados internos a Taiwan ou Coreia, que vendem muito mais aos Estados Unidos que o Japão. Não quer também aceitar trabalhadores procedentes de outros países asiáticos.

Na visão de Thurow, os Estados Unidos contam com bons trunfos. Foi rico durante mais tempo que qualquer outro país. Por habitante a sua produção média ocupa o primeiro lugar. A sua força laboral educada nas universidades é a melhor do mundo e o seu mercado doméstico é muito maior que o japonês e muito mais homogéneo que o europeu.

Para não ficar para trás no século XXI, os Estados Unidos devem deixar de ser uma sociedade de alto consumo e baixo investimento, como foi a década de 80 do século XX, para ser uma sociedade que privilegie o investimento, sobretudo na educação e formação.

Os Estados Unidos têm algumas qualidades culturais inatas, enquanto que o Japão é o país onde os estrangeiros encontram maiores dificuldades para se integrar. Nos Estados Unidos é fácil que os imigrantes façam, com facilidade, parte da população. Também os norte-americanos não têm rival quando se trata de administrar fábricas fora do seu território.

Desse modo, Thurow diz que se as vendas originadas em fábricas norte-americanas no estrangeiro se consideram exportações, o déficit comercial dos Estados Unidos transforma-se em superavit.
Cada um dos três intervenientes – Estados Unidos, Europa e Japão – tem algo a seu favor, mas cada um deles tem também os seus pontos fracos. Ganhará quem saiba actuar correctamente para tirar proveito dos pontos fortes.




Notícias relacionadas


Scroll Up