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O exemplo de João Baptista

São João Baptista, claro. Não é desrespeito. É reconhecimento do Homem, antes do Santo. Na verdade, João Baptista foi um Homem no sentido pleno do termo. Dele disse Cristo com propriedade: «Entre os filhos de mulher, não há maior que João Baptista» (Lc 7, 28). Nesta hombridade, teve a coragem de dizer ao rei Herodes: «Não te é lícito coabitar com a mulher de teu irmão» (Mc 6, 18), embora tal ousadia lhe custasse a cabeça…

N/D
27 Jun 2003

Como defensor da lei divina, desafiara, antes, os cobradores de impostos e os agentes da ordem pública a serem honestos e humanos. E muito conseguira em adesão e humildade, que se verificaram no fluir das águas jordanas pelas suas cabeças, renovadas e frescas.
Mas o Baptista cedo foi reputado e venerado como Santo. E entrou nos cânones hagiológicos da santa Igreja e nas mais belas romagens aos seus lugares de culto. Tornou-se um dos santos populares, admirado e invocado pelos povos de todas as gerações e lugares.

Foi santo porque esteve próximo da fonte da santidade, Jesus Cristo, de quem foi o profético Precursor. A consciência da missão que o esperava parece ter começado já no seio de Isabel, quando aí se agitou na presença do Salvador, ainda embrionário no seio de Maria. E foi luz indefectível e vontade indómita até ao fim da carreira esta fidelidade à missão do desbravador do caminho do Senhor.

A sua voz eloquente e convincente ecoou nas quebradas do deserto e nas margens do Jordão e arrastou multidões. A teofania da redenção revelava-se já esplendorosamente neste Homem vestido com pele de camelo.

Foi curta a sua existência neste mundo, mas foi plena de méritos diante do Senhor. No paraíso, goza da glória dos filhos bem-amados de Deus.

Na terra, as turbas aproximam-se dos seus altares e lugares de culto, mas encontramos muito cristianismo envolto em paganismo. As noitadas joaninas nem sempre são apenas expansão de alegria, mas também de desregramentos e de imoralidade, segundo dizem.

Nas festas de São João o povo sai para a rua e acompanha, em grande número, os divertimentos variados que lhe são proporcionados. Vemos os grandes responsáveis das cidades, dos governos e das nações a celebrá-las com júbilo, juntamente com o povo. Entendemos que este espírito festivo é legítimo e serve para afastar o “stress” dos problemas quotidianos.

Mas nem sempre os detentores do poder encarnam o ideal por que lutou e morreu São João Baptista, mormente no que diz respeito à dignidade e indissolubilidade do matrimónio. Esta é uma das chagas da sociedade do nosso tempo: considera legítima e normal uma situação que a lei natural, anterior à lei positiva e revelada, condena.

Glorioso Amigo, que conhecestes as antinomias da sociedade do teu tempo e que ainda são as deste início de milénio, por toda a parte e mormente no espaço físico que pisastes, agi, com o poder do Alto, a favor dum mundo novo de paz, de graça e de fraternidade, que só no amor de Deus e no respeito pela sua santa lei se podem encontrar.




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