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Parar, reflectir e agir…

Com o aumento crescente do desemprego assistimos aos protestos das vítimas, à “protecção” arruaceira de certos partidos e ao trabalho do governo para atenuar as consequências do problema.

N/D
25 Jun 2003

Além de não se estudarem bem as causas do problema não se atenta no que se passa no estrangeiro. Francisco Sarsfield Cabral escreveu no “Diário de Notícias” de 19 de Fevereiro: «A situação a que chegámos, com empresas a fecharem todas as semanas, era previsível há muito. Numa fase de estagnação económica e de aperto orçamental, a crise teria de acontecer. A qualidade do emprego é fraquíssima entre nós. Mais tarde ou mais cedo as empresas de mão-de-obra barata teriam de encerrar, perante a concorrência da mão-de-obra muito mais barata de outras paragens. Mas o desemprego de licenciados e quadros (porque no Estado começa agora a entrar menos gente…) mostra que muitas empresas ainda não abandonaram a aposta suicida no trabalho barato».
O problema acontece entre nós e, até, em países cuja economia era próspera. Veja-se o que se passa na Alemanha. A Oficina Federal de Estatística deu as seguintes informações: um total de 28.129 empresas suspenderam os pagamentos nos nove primeiros meses de 2002 e prevê que chegue a 38.000; a situação parece que não melhorará neste ano, pois, de acordo com uma informação do instituto especializado Creditreforme, as suspensões de pagamentos oscilarão entre as 40.000 e as 42.000, o que pode levar à supressão de 650.000 a 680.000 empregos.

A Alemanha e a França tiveram um grande desenvolvimento económico após a gravíssima situação em que a última guerra as deixou. Entraram numa fase de progresso, que atraiu milhares de emigrantes que ali criaram o seu bem-estar económico – veja-se os emigrantes portugueses.

Estes dois países – a França e a Alemanha – estão tão seguros da sua situação que pretendem comandar a União Europeia, que preparou a sua Constituição .

As primeiras notícias apontavam para um lugar de destaque para esses dois países em desfavor, no campo diplomático, com suas consequências para os demais países.

Portugal é o país dessa organização que se encontra no lugar mais baixo em relação ao conjunto dos países. A própria Grécia e a Irlanda, que estavam muito abaixo como nós, subiram e expressam melhorias de alto nível económico.

Entre nós, continuamos a ouvir vozes políticas que só dizem mal e não colaboram nas tentativas que se vão apresentando aos cidadãos para superamos as graves dificuldades que nos prendem. Os políticos parece que preferem o ataque político à promoção económica, a linguagem desrespeitadora à aceitação da verdade e da responsabilidade que pesa sobre todos os portugueses.

Acontece que, porque estamos na União Europeia, este organismo tem acção sobre os membros que a compõem, facto que nos deve levar a criar um conjunto nacional político que lhes inspire confiança e respeito. Estando Portugal na situação em que se encontra nesse conjunto, é dever de todos – cidadãos e políticos – tentarem limitar as suas ambições, corrigir os seus métodos de acção, e assumir responsabilidades que lhes cabem como portugueses que desejam, sobretudo, um país próspero e valorizado em política interna e externa.

Como se chegará a esta situação, que envolve inteligência, vontade e patriotismo? George Washington é tido como um exemplo clássico de acção e de resistência às adversidades. Lemos numa revista este belo retrato: «Encontra-se nele uma encarnação quase sublime das melhores qualidades de liderança: dedicação, fibra, coragem, honestidade, inteligência, sentimento de justiça, paciência, capacidade de planeamento, consideração pelos outros, orgulho temperado pela humanidade e, o que talvez fosse o mais importante, a faculdade de inspirar outros homens».

Pôs toda a sua fortuna pessoal ao serviço da causa da independência. Não fez como certos políticos que buscam a política por vaidade pessoal e para possíveis garantias financeiras.




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