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748. Senhor Presidente da República:

1. A União Europeia anda a mangar c’oa gente! Agora, quer pilhar-nos um pedaço de mar! Do nosso mar! Aquela estrada imensa por onde Portugal se abriu, se expandiu, se realizou, deu novos mundos ao mundo!

N/D
25 Jun 2003

O mar é a nossa identidade! Com ele e por ele passa a nossa cultura, a nossa ancestralidade de povo e de Pátria! Por isso, temos a maior Zona Económica Exclusiva (ZEE) da Europa! Mais de um milhão de quilómetros quadrados de mar, ao redor do Continente e das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira!
Todavia, com a entrada na União Europeia, a nossa vocação atlântica perdeu-se. Virámos as costas ao mar! Povo de marinheiros que fomos, homens em terra que somos!

Por ordem de Bruxelas, afundámos os barcos, rasgámos as velas, quebrámos os remos! Perdemos o gosto a sal e maresia! E, assim, o mar deixa de ser para nós a estrada larga e livre, aberta ao mundo que já foi! E a fonte inesgotável de recursos que, noutros tempos, nos deu riqueza, nos legou poder!

2. E, agora, senhor Presidente, não contente ainda com o que fez, a União Europeia, por obra e graça da eurocracia de Bruxelas, prepara-se para uma redução espúria da nossa ZEE. E a favor, claramente, dos espanhóis, mais poderosos que nós e com uma das maiores frotas pesqueiras do mundo.

E contra esta pilhagem cobarde que podemos nós, fraco e pequeno povo, fazer? Por exemplo, voltarmos de novo ao mar que sempre foi a nossa ponte privilegiada entre povos e civilizações. Mormente, de África, Ásia e América e a que nos unem fortes laços de cultura e de língua (Angola, Timor, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe). E reiterar, assim, a vocação atlântica que nos abriu portas ao mundo e, decididamente, a União Europeia quer ver definhada!

É para o que o senhor Presidente tem obrigação de acordar o país. Nem que seja com um daqueles discursos inflamados, embora choramingas! Eu dou uma ajuda já, com os saborosos versos de Pessoa que tão bem despertam a consciência e o orgulho nacional e, admiravelmente, apelam ao cumprimento do nosso ancestral desígnio marítimo:

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosse nosso ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena!
Quem quer passar além do Bojador
Tem de passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu
Mas nele é que espelhou o céu!

Com os melhores cumprimentos e até de hoje a oito!




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