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Banco Português do Estrangeiro

Já noutros tempos ventilada, começa a ganhar contornos a ideia de um Banco Português para os Emigrantes… A ideia surge, em tempos de crise, quando as remessas começam a baixar. E, apesar de um certo desenvolvimento do país, assiste-se a uma grande desmotivação nacional, e no transatlântico são cada vez mais os portugueses que se desnacionalizam ou esquecem as raízes nacionais como a língua portuguesa, se bem que os cidadãos comunitários – bombasticamente chamados “europeus” – na segunda geração vão adiando o regresso, ou perdendo a identidade, pelo que muitos compram já casa no estrangeiro…

N/D
23 Jun 2003

Talvez seja a resposta adequada ao facto de terem sido burlados por empreiteiros sem escrúpulos, tratados como cidadãos de segunda classe, mal assistidos e alguns a perder já a língua portuguesa.
Por que motivo tal acontece?!… Após o engodo da construção e dos caixotes de cimento – parece que não se sabe fazer mais nada!, hoje improdutivo e nada compensador, com rendas muito baixas, e com leis de esquerda a favorecer apenas os inquilinos, sem cláusulas de indemnização para os estragos causados, e alguns marimbando-se para as rendas… ou fugindo como os “morcegos da noite”, este sector não é mais um chamariz para investimento. Mesmo nas zonas turísticas como o Algarve, tais investimentos, por vezes, sem a qualidade necessária, acabam por ser também pouco compensa-dores ou improdutivos. Resultado: muitos já investem fora de Portugal, vendem as suas casas para comprar para os filhos no estrangeiro, ou arrendam – mas mal compensadoras, pela renovação que precisam – a custos muito elevados!…

Aí estão os favores concedidos aos “emigrantes”, depois de lhes “impingirem” os caixotes de cimento e betão, cujas rendas baixaram, quando se permitiu e generalizou a compra de apartamento… com bónus e “boleia” de um socialismo generoso, cujas consequências todos sentimos… Ora chegou a hora, como sempre atrasados… Os gregos e os turcos já o fizeram há muito e os italianos foram apoiados para renovação de infra-estruturas hoteleiras regionais, hoje bem rentabilizadas. Os portugueses nunca tiveram nada – a não ser redução nos juros…

Aqui está mais um repto e uma aposta. Talvez uma em vertente que vamos perder ou ganhar. Por mim, a resposta seria a criação – com mais de cinco milhões de portugueses espalhados pelo mundo – de um Banco Português do Emigrante (Estrangeiro).

Então veremos se os emigrantes fazem falta ou não, até porque – segundo consta – mais de 40 por cento dos depósitos bancários são de “emigrantes”. Com os Estados Unidos, os da Europa, o resto do mundo e um centro em Paris, Bruxelas, Berlim ou Nova York, iremos fazer frente aos bancos portugueses, e até seremos capazes de construir zonas turísticas ou outras de mais valor em Portugal e nas ilhas, como outras infra-estruturas industriais produtivas necessárias.

Quem responde ao desafio? Só temos medo dos Xicos espertos e das dificuldades que nos vão criar, ou de nos apelidarem de incompetentes e “zarolhos”. O desafio está em curso. A todos os emigrantes da diáspora portuguesa compete a resposta. Mãos à obra! Basta de inércia, brincadeira e provincianismo, como de matar, à partida, a galinha que produz os “ovos de oiro”.

O que poderíamos ter feito ao longo de mais de 40 anos, se tivéssemos deixado de viver atados ao “cordão umbincal” e perdêssemos as saudades da sardinha, do fado, futebol e folclore? Sempre nos acicataram tais sentimentos para nos explorarem e esmagarem!…

Hoje temos jovens capazes de serem bons gestores. Muitos têm cursos de Economia. É tudo uma questão de nos organizarmos, termos mais sentido de solidariedade, ideias e objectivos claros. Então mostraremos o que se vale, num tempo em que o país nos esquece, ou recebe outros “imigrantes”, em nome da exploração de que fomos vítimas… Já basta de telurismo ou provincianismo cultural e nacional. Queremos mais e melhor, num tempo em que se exigem mais ambições e os fortes podem triunfar… Será a melhor resposta a uma presunção pelintra e vesga como ao ostracismo a que temos sido votados e pouco respeito com que nos tratam. Quem responde ao desafio e dá o corpo ao manifesto?!…




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