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No regresso das caravelas…

Há quem chame à “nova vaga” de imigrantes, que tem estado a chegar a Portugal, sobretudo dos países de expressão portuguesa, como o regresso das caravelas, numa alusão – assim o cremos e desejamos – de que os atingidos pela atitude de procura dos lusitanos tenham agora o reverso dessa busca.

N/D
22 Jun 2003

De facto, os cerca de meio milhão de imigrantes que têm procurado no nosso país solução para as suas dificuldades económico-sociais fazem-no com a esperança de encontrarem entre nós aquilo pelo qual, legitimamente, anseiam: uma vida mais digna, nas várias vertentes e aspirações em cada tempo e na diversidade de cada país.
É notório que os “novos imigrantes” vêm fazer em Portugal o que muitos dos nacionais já não querem ou não fazem. Sectores como a construção civil ou limpezas, restauração ou serviço doméstico têm sido ocupados por pessoas vindas de outras paragens. Nalguns casos, segundo consta, há exploração, até pela precariedade do emprego e a situação de indocumentados ou mesmo de ilegalidade.

A legislação tentou suster a “invasão” de muitos dos novos candidatos a melhor vida na Europa, sendo Portugal a porta de acesso a outros países. Neste como noutros campos de fronteira a Igreja Católica tem estado a ser a voz tribunícia de quantos, pela sua subalternização, não têm capacidade de reivindicar ou mesmo de fazer valer os seus direitos.

Ao nível eclesial o regresso das caravelas tem a marca de muitos sacerdotes, religiosos/as que estão há mais ou menos tempo no nosso país nos diferentes sectores da vida nacional, profissional, cultural ou social. Há dioceses onde sacerdotes têm assumido/suprido as lacunas na paroquialidade, notando-se mesmo boa aceitação por parte dos fiéis e da população em geral.

Será que já nos apercebemos desta mudança? Estaremos capazes de estar abertos às exigências que ela vai colocar-nos? As nossas igrejas – paroquiais ou não – estão disponíveis para receberem as diversas línguas, os diversificados ritmos ou mesmo ritos, ocupando os nossos “espaços sagrados”?

Está na hora de aplaudirmos o regresso das caravelas, com os frutos – não em especiarias ou ouro, como no passado! – da nossa evangelização. Assim saibamos ter capacidade de ler estes sinais dos
tempos!




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